O Estádio Rei Pelé, inaugurado no dia 25 de outubro de 1970, começou a ser construído dois anos antes. Em 15 de janeiro de 1968, foi lançada a pedra fundamental do maior palco esportivo de Alagoas.
O projeto do Trapichão foi elaborado pelo engenheiro paulista João Kair, que morreu antes mesmo da inauguração. Quem deu sequência ao trabalho foi o filho de João, o também engenheiro Marcos Kair. Apesar do comando paulista, uma equipe alagoana participou ativamente da construção.
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Operários trabalham no início da construção do Estádio Rei Pelé — Foto: (Foto: Arquivo / Museu dos Esportes)
Coordenado pelo engenheiro Vinícius Maia Nobre, o grupo teve ainda os engenheiros Marcelo Barros (eletricista), Márcio Calado (sanitarista) e os engenheiros civis Nayron Barbosa, Marcos Mesquita, Roberto de Paiva Torres e Marcos Cotrim.
Na parte administrativa, a obra foi comandada por Carlos Barbosa. Tudo supervisionado pelo Superintendente da Fundação Alagoana de Promoções Esportivas (FAPE), Napoleão Barbosa.
Os recursos financeiros
Para começar a construção, o Estado de Alagoas precisava de 900 mil cruzeiros. O primeiro passo foi a criação de uma comissão para planejar a obra. O presidente da comissão foi o Coronel Nilo Floriano Peixoto, presidente do CSA na época, e também comandante da Polícia Militar de Alagoas.
Lauthenay Perdigão, José Sebastião Bastos (Bastinhos), Abelardo Marinho e Alcides Nascimento ficaram com a missão de procurar um local apropriado para a construção do estádio: o principal objetivo era achar uma área que facilitasse o acesso e retorno do público.
Depois de muitos estudos, o local escolhido foi o bairro do Trapiche. Na área, existia uma vacaria, o dono não quis vendê-la, mas um processo de desapropriação selou a decisão pelo bairro, localizado na parte baixa de Maceió.
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Maquete do projeto original do Estádio Rei Pelé — Foto: (Foto: Arquivo / Museu dos Esportes)
Escolhido o local, o próximo passo foi arrecadar recursos. Foi aí que a participação popular se tornou decisiva: bingos e festivais foram organizados, e o lucro da venda das cartelas servia para investir no estádio.
De acordo com o jornalista e historiador Lauthenay Perdigão, os prêmios eram sorteados no local da construção, que teve uma grande área entre os coqueirais preparada para receber o público.
– Muitos caminhões, jipes, rurais, fuscas e até casas foram sorteados nesses festivais – contou Perdigão.
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Lauthenay participou da comissão que escolheu o local do Estádio Rei Pelé — Foto: Viviane Leão/GloboEsporte.com
Dois anos e nove meses depois, o Estádio Rei Pelé recebeu o jogo inaugural. Com um público de 45.865, o Santos, comandado por Pelé, goleou a Seleção Alagoana por 5 a 0. O rei ainda fez dois gols.
Outro nome
Curiosamente, o estádio receberia o nome do governador Lamenha Filho, mas o sucesso de Pelé na Copa de 1970 fez o político mudar de ideia.
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Ingresso para o “Estádio Lamenha Filho”; tudo mudou depois — Foto: Arquivo / Museu dos Esportes
Lauthenay guardou no Museu dos Esportes até um ingresso com o nome Estádio Lamenha Filho.
– Em junho de 1970, quando o Brasil ganhou o tricampeonato mundial, teve uma grande festa na Praça dos Martírios, em frente ao Palácio do Governo, e jornalistas que trabalhavam com o governador Lamenha Filho disseram que ele ficou entusiasmado com as comemorações e a conquista. Como Pelé foi o grande nome da Copa e era sua última participação na Seleção, então o governador retirou o seu nome, que seria dado ao estádio, e colocou o nome de Rei Pelé – lembrou Lauthenay.
Desde o dia 25 de outubro de 1970, o Trapichão passou ser o maior palco esportivo de Alagoas. Até hoje, o estádio pertence ao Estado e virou a sede dos jogos de CSA e CRB.
Fonte: GloboEsporte








