A professora do ensino médio Thaynara Cristina Silva, 25, que trabalha no Colégio Agnes, no bairro da Ponta Grossa, em Maceió, denunciou à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (5) que foi vítima de um ato racista promovido pela diretora e proprietária da unidade de ensino.
Em entrevista ao G1 por telefone, Thaynara disse que estava dando aula na escola, na terça (4), em uma turma do 3º ano do ensino médio onde estavam aproximadamente 50 alunos com idade entre 15 e 18 anos, quando a coordenadora entrou exaltada dizendo que a professora foi responsável por um acidente de trânsito envolvendo o filho dela durante uma discussão por telefone.
“Na discussão, na frente de toda turma, ela disse que eu era ousada. E depois falou que quem fosse à cidade Ouro Branco [Sertão de Alagoas] trouxesse um chicote de couro para me dar umas chicotadas e lembrar da época que tanto falo [escravidão] e temo”, relatou Thaynara Cristina.
A reportagem do G1 entrou em contato com a direção do Colégio Agnes por volta de 7h30, que ficou de retorna a ligação para apresentar um posicionamento sobre a denúncia. Porém, ainda na terça, um pedido de desculpas foi publicado em uma rede social do Colégio, mas retirado horas depois (veja ao final do texto).
Segundo a professora, ao perceber a prática de racismo e até mesmo ser questionada pelos alunos que repudiaram o ato, a coordenadora tentou se justificar e disse que tudo não passava de um teste para saber se os alunos estavam de fato aprendendo o que era ensinado.
“Neste momento, alguns dos estudantes já estavam chorando e eu saí da sala também para chorar. Quando cheguei na sala dos professores, ela trancou a porta e me disse que tudo não passava de brincadeira. Que tinha uma empregada negra que comia na mesa da família porque era como se fosse da família. Em seguida, completou dizendo que não era racista porque havia me contratado como professora, não optando por uma professora branca para a função, relata Thaynara.
Diante da situação, a professora, que trabalha na escola desde 2017 ensinando gramática, redação e interpretação textual, recebeu orientação da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB-AL) para prestar queixa.
Fonte:G1








