A Polícia Federal (PF) intimou a filha do presidente Michel Temer, Maristela Temer, a depor no próximo dia 3, quinta-feira. Maristela será ouvida no processo que investiga um esquema de lavagem de dinheiro na forma de pagamentos de reformas em casas de familiares do emedebista. Além disso, o inquérito apura transações imobiliárias realizadas em nome de terceiros a fim de ocultar bens.
Mais cedo, o presidente fez uma declaração de 13 minutos para criticar notícias veiculadas que abordam a suspeita de vantagem indevida. “Venho aqui mais uma vez naturalmente para protestar contra mentiras que são lançadas contra minha honra”, disse.
Temer afirmou ainda que está providenciando uma investigação: “Se pensam que atacarão a minha honra e da minha família e ficarão impunes, não ficaram sem resposta. Eu solicitarei, até mesmo para que as instituições possam funcionar regularmente, vou sugerir ao ministro Jungmann [da Segurança Pública] que apure internamente como se dão esses vazamentos irresponsáveis”, destacou.
As suspeitas da PF são de que doações de caixa dois da empresa JBS tenham financiado a reforma na casa da filha do presidente, Maristela Temer, orçada em aproximadamente R$ 1 milhão. A revitalização do espaço aconteceu em 2014.
Também pesam contra Temer indícios coletados em busca e apreensão realizadas durante a Operação Patmos, deflagrada em 18 de maio de 2017, como recibos, projetos e orçamentos da reforma de Maristela na sede da empresa de arquitetura e engenharia Argeplan.
O escritório é da arquiteta Maria Rita Fratezi, esposa do coronel João Baptista Lima Filho, que tem uma relação de amizade com o emedebista e foi preso no último dia 29 no âmbito da Operação Skala – que investiga ilícitos ligados ao chamado “quadrilhão do MDB”. A PF suspeita que a Argeplan era receptora de vantagens indevidas.
‘Vazamentos’
Na manhã desta sexta-feira (27), o jornal Folha de S. Paulo noticiou que a Polícia Federal investiga o caso junto ao inquérito que apura suposto favorecimento ilícito com empresas do setor portuário. De acordo com as investigações, Temer teria recebido propina em troca da assinatura de ampliação da concessão de empresas do setor de portos. Durante o pronunciamento, o presidente ironizou as prorrogações do inquérito.
“O primeiro prazo, parece que foi em 90 dias, chegou-se ao nonagésimo dia, e nada se apurou. Ao contrário, o que se apurou é que não houve nenhuma ilicitude. O objeto central do inquérito, não se corporificou. O que se fez? Pediu-se mais 60 dias”, disse. Para ele, o trâmite visa “deixar o presidente da República em uma situação de incômodo institucional”, com “maiores repercussões” nacionais e internacionais.
O Destak








