A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, 1, a Operação Pausare – uma ação de esforço concentrado, com 48 horas de duração – de busca e apreensão sobre investimentos fraudulentos do Postalis, o Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos. A investida – nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Alagoas – tem como foco o empresário Milton Lyra, e atinge em cheio o senador Renan Calheiros. Afinal, Lyra é apontado como operador financeiro do político alagoano e os dois são investigados por suposta atuação em investimentos fraudulentos do fundo de previdência – o maior do país em número de participantes (140 mil) e responsável por administrar um patrimônio de R$ 8,77 bilhões.
Ex-gestores da empresa também foram procurados pelos federais. No total, 62 equipes policiais cumpriram aproximadamente 100 mandados. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que Lyra recebeu R$ 13,8 milhões de fundos de investimentos em que o Postalis é cotista – R$ 3,5 milhões do Atlântica Real Sovereign e R$ 10,3 do Brasil Sovereign II. Uma movimentação financeira de fazer inveja e que chamou a atenção do então procurador-geral da República Rodrigo Janot.
A quebra do sigilo telemático de Lyra confere a ele uma exagerada intimidade com o ex-presidente do Postalis Alex Predtechensky, denunciado por desvios no fundo e afilhado político de Renan e do senador Edison Lobão (MA). São vários contatos em seis diferentes números de telefone, além de e-mails comprometedores.
Investigado nega repasse a políticos
O desconforto de Calheiros começou em novembro do ano passado quando, investigado na Operação Custo Brasil, num desdobramento da Lava Jato, o empresário Paulo Roberto Gazani Júnior afirmou, em acordo de colaboração premiada, que Predtechensky pediu propina de 3% na negociação de uma operação de debêntures, num total de R$ 75 milhões, envolvendo a empresa JHSF Participações. Gazani Júnior também afirmou na delação que até uma igreja foi utilizada para mascarar suposto pagamento de propina para o ex-presidente do Postalis.
Em outubro do mesmo ano, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) decretou a intervenção na Postalis que, já em 2015, acumulava rombo de R$ 7,2 bilhões – consequência de maus investimentos, como papéis atrelados à dívida da Argentina e da Venezuela, aplicações em títulos de bancos liquidados (Cruzeiro do Sul e BVA) e ações de empresas falidas de Eike Batista.
Em suas delações, que não foram poucas, o ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado, o senador cassado Delcídio do Amaral, afirmou aos investigadores que Milton Lyra era o operador de diferentes políticos do PMDB e que tinha influência no Postalis. Lyra declarou aos policiais que nunca foi intermediário do repasse de qualquer quantia a congressistas.
O nome da operação faz referência ao infinitivo presente do verbo latino pauso – pausare -, declinação que significa “aposentadoria”.








