Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Gilmar Mendes atua de forma intensa no processo que decide se a chapa Dilma-Temer cometeu ou não abuso de poder econômico nas eleições de 2014. Por três vezes nesta quarta-feira, Mendes interrompeu o relator, ministro Herman Benjamin, para reiterar seu ponto contrário à utilização das delações premiadas da empreiteira Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura como autos do processo. Em dado momento, chegou a classificar o argumento do colega como “falacioso”.
Próximo ao presidente Michel Temer (PMDB), que pode perder o mandato em caso de condenação da chapa, o presidente do TSE defende que os magistrados deveriam deliberar apenas a respeito das questões levantadas na ação inicial proposta pelo PSDB após as eleições de 2014. Benjamin, no entanto, lembrou que o nome da Odebrecht aparece na petição inicial na lista de empreiteiras investigadas pela recém-deflagrada Operação Lava Jato. Nas apostas de Flávio Caetano e Gustavo Bonini Guedes, defensores da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e de Temer, a retirada dos conteúdos das delações dos autos do processo tornaria grandes as chances de que ambos sejam inocentados da acusação.
Em suas colaborações com o Ministério Público Federal (MPF), tanto os executivos da Odebrecht quanto os marqueteiros declararam ter havido fartos repasses por meio de Caixa 2 e oriundos de esquemas de corrupção e vantagens indevidas para a coligação que elegeu Dilma e Michel Temer. A inclusão definitiva desses relatos aos autos do julgamento fortaleceria substancialmente a acusação do PSDB, de que a campanha Dilma-Temer abusou de poder econômico ao gastar mais do que se limitou e ao utilizar verbas oriundas de esquemas ilícitos.
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