Um homem identificado como Cole Allen enviou um manifesto a familiares minutos antes de realizar um ataque durante um evento em Washington, nos Estados Unidos. O documento, com mais de mil palavras, detalha suas motivações, alvos pretendidos e até reflexões pessoais sobre o ato.
O conteúdo foi divulgado pelo jornal New York Post, que afirma ter tido acesso ao material enviado pouco antes do episódio ocorrido durante o tradicional jantar dos Correspondentes da Casa Branca, realizado em um hotel da capital americana.
No texto, Allen demonstra forte revolta contra a atual administração dos EUA, afirma agir por conta própria e descreve o ataque como uma espécie de “dever pessoal”. Ele também estabelece critérios sobre quem deveria ou não ser atingido, além de tentar justificar suas ações sob diferentes argumentos — inclusive religiosos.
O manifesto também chama atenção pelo tom contraditório: ao mesmo tempo em que pede desculpas a familiares e pessoas próximas, o autor admite ter planejado o ataque e reconhece os riscos envolvidos.
Outro ponto destacado é a crítica à segurança do local. O autor afirma que conseguiu entrar armado sem dificuldades, classificando o esquema de proteção como falho e negligente.
Especialistas apontam que esse tipo de documento costuma misturar frustração pessoal, radicalização política e tentativa de autopromoção, algo recorrente em casos semelhantes.
Manifesto de Cole Allen (versão em português do Brasil)
Olá a todos!
É possível que eu tenha surpreendido muita gente hoje. Deixem-me começar pedindo desculpa a todos aqueles cuja confiança eu traí.
Peço desculpa aos meus pais por ter dito que tinha uma entrevista sem especificar que era para o programa “Most Wanted”.
Peço desculpa aos meus colegas e alunos por ter dito que tinha uma emergência pessoal (quando alguém ler isso, provavelmente já vou mesmo precisar ir ao hospital, mas dificilmente posso dizer que não seja algo que eu mesmo causei).
Peço desculpa a todas as pessoas com quem viajei, aos funcionários que lidaram com minha bagagem e a qualquer pessoa inocente que coloquei em risco apenas por estar perto de mim no hotel.
Peço desculpa a todos que sofreram antes disso, aos que ainda possam sofrer depois, independentemente do meu sucesso ou fracasso.
Não espero perdão, mas se tivesse visto outra forma de chegar tão perto, teria escolhido.
Agora, sobre o motivo:
Sou cidadão dos Estados Unidos da América.
O que meus representantes fazem recai sobre mim.
E não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor manche minhas mãos com seus crimes.
Para ser honesto, já não aceitava isso há muito tempo, mas esta foi a primeira oportunidade real de agir.
Regras do ataque:
Funcionários da administração: são alvos, em ordem de prioridade.
Serviço Secreto: apenas se necessário, e preferencialmente de forma não letal.
Segurança do hotel: evitar atingir.
Polícia e Guarda Nacional: mesma regra.
Funcionários e hóspedes: não são alvos.
Para reduzir vítimas, usarei munição com menor poder de penetração.
Respostas a críticas:
“Como cristão, deve dar a outra face.”
— Isso só vale quando você é a vítima, não quando outros estão sendo oprimidos.
“Não é o momento certo.”
— Sempre haverá alguém achando inconveniente agir.
“Você não vai atingir todos.”
— É preciso começar de algum lugar.
“Você não deveria fazer isso.”
— Não vejo mais ninguém fazendo.
Também deixo meu agradecimento à minha família, amigos, colegas e alunos.
Obrigado por tudo.
Atenciosamente,
Cole Allen
PS: Sobre a segurança — não havia praticamente nada.
Entrei armado sem qualquer dificuldade.
Nenhum controle real.
Se eu fosse um agente estrangeiro, poderia ter feito algo muito pior.
Isso é absurdo.
E, para quem tem curiosidade: fazer algo assim é horrível.
Dá vontade de vomitar, de chorar.
Mas também sinto raiva ao pensar em tudo o que essa administração fez.
Não recomendo.








