José Múcio, Ministro da Defesa no governo do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, está agendado para realizar reuniões com altos oficiais militares da Venezuela, todos sob o comando do regime de Nicolás Maduro. A visita faz parte de um itinerário mais amplo que também inclui uma parada na Colômbia. A iniciativa levanta questões, já que se espera que Múcio converse com figuras políticas controversas, como Iván Velásquez Gómez, o Ministro da Defesa colombiano, e Vladimir Padrino López, o general e braço direito de Maduro em questões de defesa.
A aproximação de Múcio com o comando militar venezuelano suscita questões críticas. Uma delas é o processo de “Madurização” das Forças Armadas da Venezuela. Nicolás Maduro não apenas encheu os altos escalões militares com leais ao seu regime, mas também implementou mudanças s
Maduro também inflou de forma exorbitante o número de generais. O Brasil, por exemplo, com uma população significativamente maior e uma força militar mais extensa, conta com cerca de 130 generais. A Venezuela, por outro lado, tem mais de 2.000 generais, apesar de sua população menor e forças armadas reduzidas. Esta superlotação de generais não é aleatória; é uma estratégia para diluir o poder entre um grande número de pessoas, tornando cada general individualmente mais fraco e mais dependente do regime.
Além disso, o regime de Maduro oferece aos militares acessos a recursos e privilégios que não são acessíveis ao cidadão comum, garantindo assim a sua lealdade. Eles têm acesso a alimentos, remédios e até mesmo luxos em um país onde a escassez é a norma.
As perguntas que ficam é: o que o Ministério da Defesa do Brasil ganha com um diálogo direto com um regime que manipulou tão profundamente suas forças armadas para manter um governo autoritário no poder? Será que o Ministro da Defesa de Lula quer aprender um pouco com a experiência alheia?
Mas, há ainda um outro aspecto ainda mais importante.
Em junho, o Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, revelou que teve uma conversa telefônica com seu homólogo brasileiro, José Múcio Monteiro, sobre o restabelecimento das relações em cooperação militar e segurança de fronteira entre as duas nações. Padrino López não forneceu mais detalhes sobre a conversa. Nicolás Maduro já havia anunciado que pretendia reativar a cooperação em segurança fronteiriça com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Maduro, essa cooperação buscará assegurar uma “fronteira de paz, prosperidade e tranquilidade” entre os dois países.
A imprensa brasileira simplesmente NÃO NOTICIOU o fato. Eu tirei as informações da mídia em Espanhol da Venezuela, pois não achei nada em português (sim, eu sei: “o jornalismo profissional morreu” ).
Vamos lá gente. Como é que podemos aceitar a ideia de que as Forças Armadas brasileiras vão cooperar com a Venezuela em “segurança fronteiriça”? Isso seria como pedir ao lobo que cuide das ovelhas! A Venezuela não é apenas um estado autoritário, é uma narco-ditadura. Como eu disse, alguns dos altos comandantes militares venezuelanos são literalmente procurados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por narcotráfico e outros crimes. Então, o que estamos fazendo? Colocando traficantes para cuidar da nossa segurança fronteiriça?
É preciso perguntar: a quem isso beneficia? Com certeza, não é ao cidadão brasileiro que quer ver a lei e a ordem mantidas em nossas fronteiras e as drogas longe da nossa cidade. Talvez beneficie àqueles que visitam a Maré sem serem perturbados, àqueles que usam boné do CPX ou àqueles que querem liberar as drogas via decisão de togados.
Este é um movimento que levanta sérias bandeiras vermelhas. As Forças Armadas do Brasil têm um papel sério e constitucional a cumprir que inclui a DEFESA DA PÁTRIA. Elas não podem se sujeitar a alianças que colocam em risco a integridade e a soberania do país.
E aqui está o ponto: se Nicolás Maduro conseguiu transformar as Forças Armadas venezuelanas em uma extensão de seu regime autocrático e corrupto, o que nos faz pensar que uma “cooperação” com tal entidade resultará em algo positivo para o Brasil? O fato é que o exército venezuelano tornou-se um pilar de um regime ditatorial, envolvido em inúmeras atividades ilícitas. E agora nossos militares vão sentar à mesa com eles para discutir “segurança” nas fronteiras?
Então eu pergunto, para que diabos servem as nossas Forças Armadas se estão dispostas a se sujeitar a isso? Este é um ponto que merece, no mínimo, um debate sério e investigações imediatas para esclarecer as reais intenções por trás de tal “cooperação”.
Fonte: realpfigueiredo.locals








