A Secretaria da Segurança Pública de Alagoas (SSP) registrou 27 casos de feminicídio de janeiro a novembro deste ano. A marca superou o acumulado do ano passado inteiro, quando foram registrados 25 casos em 12 meses. A agressão contra mulheres é considerada um dos crimes mais frequentes em todo o país, que muitas vezes começa discretamente até evoluir para algo mais grave. “É um ciclo de abuso e violência”, avalia Paula Lopes, da ONG Centro de Defesa dos Direitos da Mulher.
No ano passado, o balanço anual da SSP contabilizou 25 casos de feminicídio em Alagoas. Esse ano, no entanto, em outubro, essa marca já havia sido batida, com 26 mortes de mulheres registradas.
Embora os dados de 2022 mostrem crescimento em relação ao ano anterior, houve uma redução em relação a 2020 e 2019, que tiveram 35 e 44 feminicídios, respectivamente.
Dos casos de feminicídio, a maioria é causada por parceiros inconformados com o término do relacionamento, como aponta Paula Lopes, da CDDM.
“Existe esse conflito, de separar e voltar. A maioria das mulheres leva em média dez anos para conseguir romper definitivamente, por causa dos filhos, principalmente. Mas, quando elas conseguem colocar um fim, os parceiros não aceitam que elas possam seguir sem eles”, explica Paula Lopes.
A representante da CDDM diz que a dependência financeira e a dependência emocional ainda são fatores que prendem mulheres dentro de relacionamentos abusivos.
“Elas querem sair, tomam coragem, mas acabam voltando. Infelizmente, ainda existe essa cultura de lutar pelo casamento, de preservar a família. Outros fatores, como dependência emocional e financeira, ainda pesam muito”, avalia.
Meses mais críticos
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Comparativo dos casos de feminicídio em Alagoas — Foto: SSP
De acordo com o boletim de feminicídio no estado, esse ano, os meses de janeiro, julho e outubro foram os mais violentos para as mulheres em Alagoas. Nesse período, foram 17 casos registrados em três meses.
No mês de julho, três casos ganharam repercussão onde três mulheres foram mortas, na capital e no interior, em apenas oito dias:
- No Pontal da Barra, uma mulher de 28 anos foi morta com 9 tiros. Delegada diz que vítima tinha um relacionamento conturbado.
- No bairro do Antares, a advogada Maria Aparecida foi morta a facadas dentro de casa. O suspeito do crime era o marido dela, que tentou suicídio após o crime, mas foi preso.
- Em Arapiraca, Daniela Fernanda Silva, de 29 anos, também foi assassina a facadas pelo marido, que acabou morrendo em um acidente de trânsito durante a fuga.
“Podemos dizer que os homens estão mais violentos, e as mulheres não estão mais tolerando tanta violência. Hoje existe mais informação e elas estão rompendo com o ciclo, só que esses homens não aceitam e, através da morte, eles conseguem silenciar uma mulher”, afirma a representante da CDDM.
Laudicéia Santos Neves, 31 anos, foi uma das vítimas mais recentes no estado. Ela foi esfaqueada no dia 25 de novembro, em Porto Calvo , durante uma discussão com o marido, ficou oito dias internada no hospital, mas não resistiu e morreu no último sábado (3). O sepultamento aconteceu no domingo (4).
“Ele acabou com a nossa vida. Foi muita crueldade o que ele fez com a minha irmã, uma mulher boa, que vivia para casa e a família. Ele não teve pena nem da filhinha deles, uma menina de 1 ano, que agora fica sem a mãe. Uma tristeza muito grande ver a minha irmã partir dessa forma”, disse Laudjane Santos.
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Laudicéia ficou uma semana internada após ser esfaqueada pelo próprio marido — Foto: Arquivo pessoal
Como denunciar
Em junho, o MP-AL lançou um aplicativo para ajudar no combate a violência doméstica. ‘Proteção Mulheres’ traz informações sobre os tipos de violência contra a mulher.
O aplicativo está disponível para ser baixado nas plataformas Android e iOs. Nele, é possível ter acesso aos contatos para entrar em comunicação com o Ministério Público para fazer denúncias, como telefones, e-mails, horários de atendimento e as promotorias de Justiça que têm essa atribuição.
Além do aplicativo, as mulheres vítimas de violência em Maceió e no interior podem buscar ajuda nas delegacias especializadas, por telefone, ou na Casa da Mulher Alagoana, que oferece um atendimento humanizado, com acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais.
Fonte: G1








