As especulações em torno das candidaturas para as eleições 2022 em alagoas têm sido pontuais, a aposta é que o governador Renan Calheiros Filho dê uma pausa no executivo e se lance na concorrência para o senado. Conversas de bastidores, nome que emerge como tampão e conversas em viagens internacionais seladas por pactos dão força às apostas em torno da candidatura de RF ao legislativo. Mas a zona de perigo caso essa candidatura ocorra não tem sido considerada.
As desvantagens para RF caso ele concretize essa decisão são muitas, a começar pelo contexto de oposição com o executivo federal que ele enfrenta, inflamado por seu pai, o senador Renan Calheiros, que tem sido a pedra no sapato de Bolsonaro ultimamente. A questão é que, além de não ter conseguido pavimentar o caminho rumo à Brasília em sete anos como mandatário do executivo, RF sequer preparou um sucessor que tivesse forças para concorrer nas majoritárias, fora suas desvantagens frente a candidatos já consolidados, como é o caso de Fernando Collor e do vereador mais votado de Maceió, delegado Fábio Costa, cotadíssimo para ocupar uma vaga no senado.
Não para por aí, além do risco de ficar sem mandato, uma candidatura a essa altura do campeonato e com a quantidade de operações federais nas quais o governo de RF está envolvido, o colocaria nas mãos de Bolsonaro, que teria todas as cartas na manga para instalar a Polícia Federal na porta de Renan Calheiros Filho, afinal, bem sabemos do poder de interferência que o presidente miliciano tem sobre a PF. Em dezembro do ano passado oalvo da vez foi o pré-candidato à presidência, Ciro Gomes e seu irmão, o senador Cid Gomes, envolvidos em uma operação da Polícia Federal para apurar um suposto desvio de recursos nas obras do estádio do Castelão, em Fortaleza, Ciro acusou Bolsonaro de estar por trás da ação com o propósito de intimidá-lo, o que garante que o presidente não faria o mesmo com o filho de um de seus maiores opositores em Brasília?
Foi justamente o que ocorreu em 2018 com o ex-governador do Paraná, Beto Richa, que deixou o cargo nas mãos de sua vice, Cida Borghetti (PP), para disputar o Senado Federal, mas assim que perdeu a imunidade foi preso pela polícia federal no âmbito da Operação Rádio Patrulha o que estremeceu sua vida política e o mandou para o sexto lugar do pleito, com menos de 4% dos votos válidos. No desenrolar das operações em que foi investigado, Richa se tornou réu por sete vezes e o político que não perdia uma eleição desde 2001 acabou desmoralizado e, em meio a prisões e denúncias, viu sua carreira política desmoronar. O mesmo ocorreu ao ex-governador do estado de Goiás, Marconi Perillo.
Mas no caso de RF, não seria necessário nem se dar o trabalho de “parir” um problema que gerasse uma operação, Renan Calheiros Filho segue enrolado com a PF desde sua primeira campanha para governador. Até agora o governo Renan Filho tem no currículo seis operações, destas, quatro envolvem a saúde do estado, sendo a mais recente com relação à compra de respiradores para atender as vítimas da COVID-19, ou seja, ele tem todas as chances de amargar o mesmo destino que os dois ex-governadores supracitados.
De acordo com investigações da polícia e do Ministério Público, em três operações envolvendo a pasta da saúde, com três secretários diferentes, os valores envolvidos nos esquemas ultrapassam os R$ 280 milhões. Na primeira operação, conhecida como Operação Sucupira, envolvendo a Secretaria de Estado da Saúde, o Instituto de Tecnologia em Informática e Informação de Alagoas (Itec), a Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) e a Agência de Modernização da Gestão de Processos (Amgesp), servidores públicos que exerciamfunções relevantes no governo Renan Filho tinham acesso de maneira ilegal a cursos de mestrado na Universidade Federal de Alagoas.
No mesmo ano se desenrolou a Operação Correlatos, que investigou um esquema para a compra fracionada de medicamentos na Secretaria de Saúde, movimentado mais de R$ 200 milhões, o esquema que perdurou de 2010 a 2016 teve as maiores cifras nos anos de 2015 e 2016, primeiros anos do mandato de RF como governador do estado. Já em 2019, a Operação Florence – Dama da Lâmpada culminou com a prisão da filha e do genro de seu vice-governador Luciano Barbosa, donos da empresa LP, o esquema desviou cerca de R$ 30 milhões da Secretaria de Estado da Saúde, a partir de contratos fraudulentos com a LP e com o Instituto de Ortopedia de Alagoas (IORTAL), responsável pelo fornecimento de próteses e órteses aos maiores hospitais de Alagoas.
A Operação mais recente envolvendo a saúde do estado, mas num âmbito nacional, ocorreu ainda este ano, a Operação Sufocamento, realizada em conjunto pela Policia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União, investigou o desvio de verbas federais destinadas ao combate à COVID 19 em Alagoas. De acordo com a CGU, comprovou-se a simulação de dois processos de dispensa de licitação por um grupo criminoso na Prefeitura de Girau do Ponciano, para uma central de gases e respiradores mecânicos voltado ao tratamento de pacientes com Covid. O prefeito de Girau do Ponciano é aliado politico do relator da CPI da COVID, Renan Calheiros.
O governo de RF mergulha também em mais duas operações, a Operação Casmurros, que investigou um contexto de licitações obscuras suspeitas que movimentaram mais de R$ 21 milhões e um desdobramento da Lava Jato em 2018 que apurou o recebimento de propina na campanha de 2014, de acordo com as investigações o dinheiro de propina chegou até o comitê de Renan Filho “por meio de notas fraudulentas” da empresa GPS Comunicação, que é de propriedade do marqueteiro pessoal do governador, Carlos Adriano Gehres, e, também, de doações para o diretório do MDB em Alagoas.
Enfim, um arsenal que comprometeria RF de cabo a rabo e levaria junto com ele boa parte de seus aliados, pondo em risco suas chances de se safar e entrar em novas disputas, além de comprometer um sonho antigo do governador que gira em torno de uma possível vitória de Lula à presidência. Caso o ex-presidente volte a liderar o país, RF conta com a possibilidade de agarrar um ministério ou, quem sabe, assumir a presidência do Banco Mundial, respondendo processos ou preso RF não teria essa possibilidade, não é mesmo? Ou será que sim? O fato é: o governador, conhecido nos bastidores por seu despotismo,não é nada bobo e não arriscaria sua pele só para ter seu rosto estampado em santinhos e preguinhas espalhados pelas calçadas, afinal, sua publicidade já dá conta de estampar sua imagem em todos os lugares possíveis e imagináveis.
Fonte: quartopoderalagoas








