O Ministério de Defesa da Lituânia publicou no final de setembro um relatório recomendando aos seus cidadãos que deixem de usar alguns tipos de celulares chineses. Dias depois, sem especificar os motivos, a Alemanha abriu uma investigação sobre os celulares Xiaomi, que no último trimestre se tornou pela primeira vez a marca mais vendida na Europa. As duas decisões foram noticiadas com destaque e puseram a tecnologia chinesa novamente na mira. Mas o desafio vai muito além: afeta todo o ecossistema Android e tem a ver com os aplicativos que vêm pré-instalados em qualquer celular e cujas atualizações, que ninguém controla nem vigia, podem representar um risco para os usuários.
A denúncia que mais chamou a atenção do relatório lituano foi uma lista de 449 palavras em caracteres chineses que o dispositivo podia encontrar e bloquear. Muitas tinham conotações políticas sobre a China: “Tibete livre”, “Movimento democrático 89″, ”Viva Taiwan livre” ou sobre os uigures. Mas também havia termos como nazistas e nomes de grupos terroristas islâmicos. Dias depois, em 27 de setembro, o ministério lituano de Defesa publicou um apêndice com novas palavras, algumas já diretamente em inglês ou espanhol. Nessa lista, a maioria está relacionada a sexo: pornô, pornôs, porn, anal impaler, handjob, underage, hooker, hot video, clitoris, vaginas, fucker – mas também Dalai Lama, marxista e extremismo.
Na lista de palavras em chinês aparecem também nomes como o do extinto grupo separatista basco ETA, da organização esquerdista chilena Frente Patriótica Manuel Rodríguez e do artista dissidente chinês Ai Weiwei. Ao todo, são 1.376 termos. A lista no fundo é pouco sofisticada, mas serviria para encontrar alguém que busca informações politicamente suspeitas sobre a China ou que consome pornografia. O primeiro tipo claramente pode interessar a uma empresa chinesa que precisa seguir diretrizes de seu Governo. Já a restrição à pornografia pode ter conotações políticas ou servir para possíveis chantagens.
O relatório lituano cita poucas provas, mas aponta que esta lista encontrada em dispositivos Xiaomi aparentemente serve para filtrar conteúdo: “Acredita-se que esta função permita a um aparelho Xiaomi realizar uma análise do conteúdo multimídia que entra no telefone do alvo, e depois procurar palavras-chaves baseadas nesta lista enviada para o servidor”, diz o relatório. Uma vez feito isto, o dispositivo pode filtrar conteúdos para que o usuário não os veja. A Lituânia admite que essa função foi “desativada” na União Europeia.
Fonte:TerraBrasilnoticias








