O ex-atacante Júnior Amorim marcou território em Alagoas. Na temporada de 2004, o paraense desembarcou em Maceió para defender o CRB e ganhou destaque.
Cinco anos depois, vestiu a camisa do CSA e causou polêmica no futebol alagoano. Antes de encerrar a carreira, ele defendeu ainda Coruripe, Murici e Santa Rita, onde se aposentou, em 2014, aos 42 anos.
Júnior chegou a Alagoas depois de passar pelo Paysandu. Com a camisa regatiana, fez jogos marcantes no Rei Pelé, se destacou, mas deixou o torcedor do CRB magoado ao se transferir para o rival.
Em entrevista ao GloboEsporte, Amorim admite o arrependimento por trocar a Pajuçara pelo Mutange.
Eu me arrependi de ter ido para o CSA porque, no momento que eu fui, tinha um carinho, o amor, a afinidade enorme que existia com o torcedor do CRB.
– Nada contra o CSA, nada contra a instituição. Mas, quando eu estava no CRB, me sentia muito bem. O Rei Pelé parecia ser minha casa. Tudo o que eu fazia, era legal para o torcedor do Galo.
Apesar da mudança radical na carreira, Júnior justifica a decisão de ir para o maior adversário.
– Eu fui para o CSA porque fecharam a minha porta no CRB. Chegou um diretor de futebol, eu prefiro não citar o nome, e disse que o meu ciclo no CRB estava encerrado. Eu estava jogando o Campeonato Carioca, pelo Madureira, em 2009. Eu tinha saído em 2008, nós tínhamos caído para Série C, mas eu tinha deixado tudo certo para voltar no segundo semestre.
Eu me senti muito triste, muito magoado. Imagina um lugar onde você se sentia bem, a sua casa e chegar um cara e fechar a porta pra você.
– Acabei indo para o CSA mais por revanche. Eles aproveitaram o momento de o CRB ter fechado as portas e me contrataram.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2020/U/X/4qWNauQUe8pM2c7u7BaQ/whatsapp-image-2020-06-18-at-18.13.56.jpeg)
Júnior Amorim foi ídolo da torcida do CRB — Foto: Ailton Cruz/GloboEsporte
Júnior admite que a ida para o maior rival do CRB deixou parte da torcida na bronca.
– Eu tenho um carinho enorme pela torcida do CRB e sei do carinho do torcedor comigo. Se eu não tivesse ido para o CSA, talvez, eu estivesse aí numa galeria dos cinco maiores ídolos do clube. Embora, talvez, eu esteja aí.
A passagem de Amorim pelo CRB (foram quatro: 2004, 2006, 2008 e 2010) teve momentos de destaque. Ele escolheu três partidas como as mais importantes.
- Primeiro jogo: CRB 1 x 1 CSA (2004)
– Eu posso dizer que o jogo que mais me marcou com a camisa do CRB foi na minha estreia, em 2004, num clássico, contra o CSA. Nesse jogo, o placar terminou empatado por 1 a 1 e eu fiz o gol do CRB. Mas, antes, eu tinha perdido um pênalti. O CSA abriu o placar e a gente empatou com um gol meu, após um cruzamento de Bebeto.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2020/q/t/0qmZZdQzOvmuCHT79TKA/whatsapp-image-2020-06-18-at-18.13.57-2-.jpeg)
Júnior Amorim marcou época no CRB — Foto: Ailton Cruz/GloboEsporte
- Segundo jogo: CRB 2 x 1 Remo (2006)
– Foi a última partida da Série B de 2006, contra o Remo, no Rei Pelé. O estádio estava lotado, nós estávamos brigando para não cair. Naquele ano, eu tinha passado por alguns problemas, fui afastado pelo treinador da época (porque eu fui jogar futevôlei depois do treino), o time estava bem, mas depois começou a cair de rendimento e tal.
– Eu fui reintegrado ao elenco, voltei super motivado, animei o pessoal e a gente reagiu. Lembro até que antes desse jogo contra o Remo, a gente foi jogar na Ressacada, contra o Avaí, na penúltima rodada. Se nós perdêssemos, cairíamos. No final do jogo, nós viramos o placar, com dois gols do Val Baiano, e trouxemos a chance de permanência para o Rei Pelé, na última rodada. Mas a tabela era muito desfavorável.
Não fiz gol, mas joguei, vibrei, me entreguei e o torcedor passou a me ver diferente pela entrega. Certamente, a partir desse jogo, o torcedor do CRB se identificou ainda mais comigo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2020/5/2/4VaLlxQpup7PCK6yYgmA/whatsapp-image-2020-06-18-at-18.13.57-1-.jpeg)
Júnior Amorim comemora gol pelo CRB — Foto: Ailton Cruz/GloboEsporte
- Terceiro jogo: CRB 1 x 0 Portuguesa
– Foi uma vitória que tivemos contra a Portuguesa, em 2007, e ganhamos por 1 a 0. Naquele jogo, eu fiz um gol de cabeça, talvez o mais bonito que eu tenha feito. Foi mais ou menos da marca do pênalti, uma cabeçada muito forte.
Eu subi muito alto, dei uma testada muito fera e a torcida gritou o meu nome. Isso marcou demais mesmo.
Fonte:GloboEsporte








