Uma publicação feita pelo deputado federal Rogério Corrêa, do PT de Minas Gerais, provocou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre desinformação e uso de inteligência artificial no ambiente político. O parlamentar divulgou uma imagem manipulada por IA que reunia o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Na legenda, Corrêa associou a montagem a um suposto esquema de irregularidades financeiras, afirmando que a imagem representaria um retrato de corrupção envolvendo os personagens.
Confira detalhes no vídeo:
A imagem utilizada como base para a montagem é, na realidade, uma fotografia registrada em fevereiro de 2019, na qual aparecem apenas Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central. Daniel Vorcaro foi inserido posteriormente por meio de recursos de inteligência artificial, criando a falsa impressão de que os três teriam participado do mesmo encontro. A publicação permaneceu no ar por um curto período, mas foi apagada após críticas e questionamentos sobre sua veracidade.
Apesar da exclusão do conteúdo, o deputado não publicou um pedido formal de desculpas nem um esclarecimento fixado em seu perfil. Posteriormente, Rogério Corrêa apresentou uma justificativa afirmando que a imagem tinha caráter simbólico e buscava representar, de forma ilustrativa, uma suposta proximidade política entre o empresário e figuras ligadas à extrema direita. Segundo ele, a publicação foi removida porque poderia levar parte do público a interpretar a imagem como real.
A explicação, no entanto, não encerrou a controvérsia. Críticos apontaram que o uso de imagens geradas por inteligência artificial amplia o risco de enganar usuários, especialmente em um ambiente digital marcado pela rápida circulação de conteúdos em aplicativos de mensagens e redes sociais. Especialistas alertam que montagens desse tipo podem ser facilmente tomadas como verdadeiras, sobretudo por pessoas menos familiarizadas com tecnologias de edição e IA.
O episódio também levantou questionamentos sobre a aplicação desigual de critérios no combate à desinformação. Parlamentares e comentaristas contrários ao PT afirmaram que, em outros momentos, publicações consideradas enganosas resultaram em investigações, remoções forçadas de conteúdo e até sanções judiciais. Para esses críticos, a simples exclusão da imagem não seria suficiente diante do potencial dano causado pela disseminação da montagem.
Outro ponto que alimentou o debate foi a ausência de menção, por parte do deputado, a encontros e relações do empresário Daniel Vorcaro com integrantes do atual governo federal. Para opositores, a justificativa apresentada reforça a percepção de seletividade narrativa e uso político da desinformação como ferramenta retórica.
O caso ocorre em um contexto de crescente preocupação com o impacto da inteligência artificial na política. Ferramentas capazes de gerar imagens realistas, vídeos e áudios falsos vêm sendo apontadas como um dos principais desafios para a integridade do debate público. Autoridades eleitorais e especialistas em direito digital defendem regras mais claras e mecanismos de responsabilização para coibir abusos.
A publicação de Rogério Corrêa, ainda que apagada, exemplifica como conteúdos falsos podem se espalhar rapidamente e permanecer circulando mesmo após a remoção original. O episódio reforça a discussão sobre limites éticos na atuação de agentes públicos nas redes sociais e sobre a necessidade de transparência, retratação clara e responsabilização em casos de desinformação envolvendo figuras políticas.
Fonte : PensandoDireita








