Informações obtidas pelo Metrópoles apontam para uma escalada de ações repressivas na Venezuela, com abordagens aleatórias a civis em diferentes cidades do país. Segundo os relatos, grupos armados e forças alinhadas ao governo estariam parando pessoas nas ruas para verificar o conteúdo de seus celulares, em busca de mensagens ou publicações com críticas ao regime. Essas ações, de acordo com as denúncias, têm resultado em prisões e punições severas.
Confira detalhes no vídeo:
Os relatos indicam que diferentes agentes de segurança participam das revistas. Policiais, guardas e militares venezuelanos estariam exigindo acesso aos aparelhos telefônicos durante as abordagens. A verificação inclui conversas em aplicativos de mensagens, postagens em redes sociais e conteúdos antigos armazenados nos dispositivos. Qualquer material interpretado como oposição política pode ser usado como justificativa para a detenção.
Segundo Arbeis Ramirez, líder religioso que atua no Brasil e na Venezuela, os agentes procuram termos e mensagens que façam referência a críticas ao governo. Palavras associadas à ideia de ditadura ou comentários considerados ofensivos às autoridades são tratados como atos de traição. Quando esse tipo de conteúdo é encontrado, a ordem de prisão é dada de forma imediata, sem necessidade de outros elementos.
Ainda de acordo com Ramirez, pessoas detidas nessas circunstâncias estariam sendo condenadas a longos períodos de prisão, com penas que podem chegar a oito ou dez anos. A justificativa oficial seria a de que manifestações contrárias ao governo configuram crimes contra a pátria. Esse cenário tem provocado medo generalizado e levado a população a adotar estratégias de autocensura.
Imigrantes venezuelanos apresentaram à reportagem mensagens que circulam amplamente em grupos de WhatsApp e redes sociais. Os textos funcionam como alertas, orientando os usuários a controlar o que escrevem e compartilham. A recomendação é evitar mensagens políticas, piadas ou qualquer conteúdo que possa ser interpretado como sensível, mesmo em conversas privadas.
As mensagens reforçam a ideia de vigilância constante e alertam que tudo o que é escrito ou dito pode ser utilizado como prova em processos judiciais. O clima de insegurança tem alterado o comportamento digital de muitos venezuelanos, que passaram a apagar conversas, sair de grupos e reduzir o uso de redes sociais para evitar riscos.
Há relatos de pessoas que optam por não levar o celular ao sair de casa, com receio de abordagens e revistas. A possibilidade de ter o aparelho analisado por agentes do Estado se tornou um temor cotidiano. Essa prática afeta diretamente a liberdade de expressão e amplia o controle sobre a vida privada da população.
Familiares de pessoas detidas relatam dificuldades para obter informações sobre o paradeiro dos presos e sobre os processos judiciais. O ambiente descrito revela um cenário de forte intimidação e repressão, no qual críticas ao governo, mesmo em mensagens privadas, passaram a representar risco real de prisão.
Fonte: Polinvestimento