O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro se manifestou nesta sexta-feira (2) contra a determinação da Polícia Federal que ordena seu retorno imediato ao cargo de escrivão da corporação. A reação foi divulgada por meio de um vídeo nas redes sociais, no qual ele afirma que não pretende cumprir a decisão e direciona críticas diretas à PF, alegando motivação política por trás do ato administrativo.
Confira detalhes no vídeo:
De acordo com Eduardo, a perda de seu mandato ocorreu no dia 18 de dezembro por decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, sem que houvesse votação em plenário, o que, segundo ele, fere o rito legislativo previsto. No entendimento do ex-parlamentar, esse procedimento torna a cassação irregular. Ele também afirma que, no dia seguinte, a decisão foi publicada no Diário Oficial da União já acompanhada da ordem para que reassumisse suas funções na Polícia Federal, o que, para ele, indica que a medida já estava previamente preparada.
No vídeo, Eduardo Bolsonaro diz que não aceita retornar ao cargo nos termos impostos pela corporação. Ele afirma que não abriu mão das prerrogativas do mandato parlamentar para se submeter ao que classifica como arbitrariedades da cúpula da Polícia Federal. Em declarações contundentes, o ex-deputado acusa a instituição de agir de forma autoritária e afirma que não está disposto a trocar sua honra pela permanência em um cargo público.
Antes de ingressar na política, Eduardo ocupava o posto de escrivão da Polícia Federal, cargo obtido por meio de concurso público. Com a perda do mandato, a legislação prevê o retorno automático à função de origem. A determinação publicada nesta sexta estabelece que ele deve reassumir sua lotação na Delegacia da Polícia Federal de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.
Apesar da ordem, Eduardo afirma que não tem condições de voltar ao Brasil neste momento. Ele sustenta que o país vive um cenário de perseguição judicial e ausência de normalidade democrática, especialmente contra integrantes e aliados do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, retornar ao território nacional poderia resultar em prejuízos pessoais e jurídicos.
Ainda na gravação, o ex-deputado afirma que não pretende abrir mão do cargo na Polícia Federal de forma passiva. Ele diz que irá contestar a decisão e buscar meios legais para manter o vínculo com a corporação. Eduardo também demonstrou preocupação com possíveis consequências funcionais, como a perda do direito à aposentadoria vinculada à PF, do porte de arma e da pistola funcional associada ao cargo.
As declarações provocaram ampla repercussão nas redes sociais e intensificaram o debate político em torno da relação entre decisões administrativas, perda de mandato parlamentar e conflitos institucionais. Enquanto críticos apontam que o retorno ao cargo é um procedimento automático previsto em lei, apoiadores do ex-deputado classificam a medida como mais um episódio de perseguição política.
Até o momento, a Polícia Federal não se pronunciou oficialmente sobre as declarações feitas por Eduardo Bolsonaro. O caso deve seguir em análise nas esferas administrativa e judicial, enquanto o ex-parlamentar mantém sua posição de resistência à ordem de reapresentação ao cargo.
Fonte: Polinvestimento