As decisões do ministro Dias Toffoli no caso envolvendo o Banco Master abriram um debate espinhoso: até que ponto a atuação do Supremo preserva a transparência e a isenção quando os próprios ministros passam a ser citados em episódios paralelos? Em meio a questionamentos sobre sigilo, acareações e possíveis conflitos de interesse, jornalistas e analistas passaram a cobrar respostas mais objetivas — não apenas sobre o banco, mas sobre a condução do processo.
Na avaliação de Malu Gaspar, o conjunto de decisões de Toffoli no caso acumula sinais de excesso e preocupa pelo nível de controle centralizado. Ela cita a volta do processo às mãos do próprio ministro, o sigilo reforçado e a determinação de que qualquer investigação conexa só avance com autorização dele. Para a jornalista, ao questionar a atuação técnica do Banco Central — que decretou a liquidação do Master após identificar uma fraude bilionária — o ministro acaba colocando os técnicos do BC no mesmo patamar de investigados, o que soa como intimidação e desloca o foco da fraude para a defesa de interesses ligados ao banco.
Já Fernando Gabeira alerta para o risco de “inversão de papéis”: quem fiscaliza e denuncia pode acabar no banco dos réus. Ele considera estranha a ideia de promover acareação antes de colher todos os depoimentos e lembra episódios que, no mínimo, fragilizam a percepção pública — como o voo de Toffoli em jatinho com advogado ligado ao Master e dúvidas sobre relações de proximidade em torno do caso. Para Gabeira, a sucessão desses fatos levanta suspeitas de que parte das decisões possa terminar protegendo o banco, e não esclarecendo a fraude — razão pela qual, afirma, a sociedade precisa redobrar vigilância sobre o papel do Supremo nessa história.
* Resumo de análises realizadas na Edição das 18h, GloboNews.
Fonte: CesarWagner.com.br








