Ao sair em defesa de Janja após o constrangimento internacional causado por sua intervenção inesperada em uma reunião oficial com Xi Jinping, o presidente Lula afirmou que sua esposa “não é uma pessoa de segunda classe” — uma frase que escancara mais do que protege. Afinal, existe, na república democrática que tanto se preza, alguma “classe” de cidadão inferior? A declaração, que soa como um desabafo afetivo, revela também um vício de mentalidade: o de que há hierarquias pessoais dentro do próprio Estado, onde uns podem tudo e outros, quase nada. Mais que a defesa da companheira, Lula expõe a contradição entre o discurso da igualdade e a prática da exceção, sugerindo que, mesmo em assuntos diplomáticos, o peso da liturgia pode ser suspenso por afinidades domésticas — desde que não se trate de um “cidadão de segunda”.
Fonte: cesarwagner,com








