Um vídeo divulgado nas redes sociais nesta terça-feira (20) provocou forte reação entre profissionais da segurança privada no Ceará. Na gravação, o vigilante patrimonial Hiago Lima critica a conduta do deputado estadual Carmelo Neto (PL) durante uma fiscalização realizada em uma escola de Fortaleza, episódio que teria envolvido um colega de profissão.
Segundo o relato, o parlamentar teria chegado ao local exaltado, elevando o tom de voz e se dirigindo de forma intimidatória a um vigilante armado que estava de serviço. De acordo com Hiago Lima, o profissional possui mais de 15 anos de experiência e apenas cumpria ordens da empresa contratante, seguindo rigorosamente os protocolos previstos para a função.
Ainda conforme a denúncia, a unidade escolar estava fechada no momento da fiscalização, e cabia ao vigilante zelar pela ordem e pelo cumprimento das normas do posto de serviço. Qualquer atitude fora desse padrão, segundo os colegas, poderia resultar em sanções administrativas por parte da empresa responsável.
O vídeo também ressalta que o vigilante envolvido é eleitor e apoiador do próprio deputado, assim como outros integrantes da categoria, o que, na avaliação dos profissionais, não justifica a exposição pública sofrida. Após o episódio, o trabalhador teria passado a receber diversas mensagens questionando sua conduta, mesmo tendo agido, segundo os relatos, dentro da legalidade.
Outro ponto que gerou preocupação foi o registro de um Boletim de Ocorrência contra o vigilante. Para a categoria, a existência de um BO pode inviabilizar a reciclagem profissional exigida para o exercício da função, comprometendo, na prática, a continuidade do trabalhador na área da segurança privada. Os vigilantes defendem que eventuais irregularidades administrativas ou contratuais deveriam ser apuradas junto aos órgãos competentes, e não direcionadas ao profissional que ocupa a ponta mais vulnerável da relação de trabalho.
Na manifestação, Hiago Lima classificou a atitude do parlamentar como um “vacilo” com toda a categoria e cobrou uma retratação pública. Ele também pediu que o caso seja levado ao conhecimento de outros deputados estaduais, reforçando o sentimento de indignação entre vigilantes, que alegam desrespeito, exposição indevida e risco à subsistência de um trabalhador que apenas cumpria sua função.
Versão do deputado
Em versão divulgada nas redes sociais do deputado Carmelo Neto, o parlamentar apresenta um relato diferente sobre o ocorrido. O deputado diz estar realizando uma fiscalização em um prédio público que estaria inativo quando a situação teria se agravado. Carmelo Neto relata ter sido agredido durante a ação, o que motivou o registro de ocorrência policial.
De acordo com o parlamentar, a fiscalização fazia parte de sua atuação e tinha como objetivo apurar possíveis irregularidades relacionadas ao uso ou à situação do imóvel público. O parlamentar nega qualquer conduta abusiva e reforça que agiu no exercício de suas prerrogativas legais.








