Ex-presidente teve crise e bateu a cabeça em um móvel, na terça-feira, na Superintendência da PF, em Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou, por volta das 16h30 desta quarta-feira (7), o hospital DF Star, em Brasília, após realizar uma série de exames por causa de um traumatismo leve no crânio. Bolsonaro retornou para a Superintendência da Polícia Federal (PF), onde cumpre pena.
Entenda o caso
O ministro Alexandre de Moraes autorizou nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, que o ex-presidente Jair Bolsonaro deixasse temporariamente a custódia da Polícia Federal para a realização de exames médicos no Hospital DF Star, em Brasília.
A decisão foi tomada mais de 24 horas depois do acidente, um dia após Bolsonaro sofrer uma queda dentro da cela da Superintendência da Polícia Federal, na madrugada de terça-feira, 6 de janeiro, quando teria desmaiado, batido a cabeça e apresentado sintomas neurológicos, segundo a defesa.
Bolsonaro está preso preventivamente desde 3 de janeiro, por ordem do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da condenação a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou publicamente a queda sofrida por Jair Bolsonaro na cela da Polícia Federal na terça-feira, (6). A informação foi divulgada ao longo do dia por meio de publicações em redes sociais, nas quais ela relatou que o ex-presidente havia desmaiado durante a madrugada, batido a cabeça e apresentado sinais de confusão, o que motivou os pedidos urgentes da defesa para a realização de exames médicos fora da unidade prisional.
A autorização do ministro ocorreu apenas após a apresentação de dois pedidos formais da defesa, ambos protocolados no dia 6 de janeiro, pressãodo Conselho Federal de Medicina e políticos.
O primeiro pedido da defesa foi apresentado pela manhã, por volta das 10h, pelos advogados do ex-presidente, que solicitaram a remoção imediata ao hospital para a realização de exames clínicos e de imagem, alegando risco à saúde após a queda. No início da noite, por volta das 18h, Moraes negou o pedido com base em relatório médico elaborado pela equipe da Polícia Federal, que classificou os ferimentos como leves e sem indícios de urgência, além de exigir da defesa a especificação detalhada dos exames pretendidos e a juntada de laudos técnicos.
Horas depois, às 20h do mesmo dia, a defesa apresentou um segundo pedido, desta vez acompanhado de laudos médicos particulares assinados pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado e pelo cirurgião Cláudio Birolini.
Os documentos apontaram a ocorrência de traumatismo craniano, episódios de lapsos de memória e a possibilidade de crise convulsiva, ressaltando o histórico clínico complexo de Bolsonaro, que inclui múltiplas cirurgias abdominais, hérnias recorrentes e crises crônicas de soluços. Com base nesses elementos, os advogados reiteraram a necessidade de tomografia computadorizada, ressonância magnética do crânio e eletroencefalograma, sustentando a existência de risco potencial à integridade física do preso.
A decisão favorável de Alexandre de Moraes só foi proferida na manhã do dia seguinte, após a análise do novo material apresentado. O ministro autorizou a saída temporária de Bolsonaro sob escolta discreta da Polícia Federal, determinou que o deslocamento fosse feito pela garagem do hospital, sem contato externo, e estabeleceu o retorno imediato à custódia após a conclusão dos exames. Bolsonaro chegou ao Hospital DF Star por volta das 15h30 e realizou os procedimentos médicos até quando a unidade informou que os exames haviam sido concluídos, com laudos ainda pendentes de divulgação oficial.
Além da atuação direta da defesa, o caso ganhou repercussão institucional com a manifestação do Conselho Federal de Medicina. Na própria quarta-feira, o CFM anunciou a abertura de uma sindicância para apurar possível falta de assistência médica adequada durante a custódia de Bolsonaro, citando a complexidade do histórico clínico do ex-presidente e defendendo o direito à autonomia profissional dos médicos e ao monitoramento contínuo do paciente. A iniciativa do conselho foi interpretada como um fator adicional de pressão institucional para a reavaliação da negativa inicial.
Aliados políticos do ex-presidente também se manifestaram publicamente, entre eles o senador Flávio Bolsonaro, que cobrou providências nas redes sociais e questionou as condições de saúde do pai durante a prisão. Apesar das manifestações, não houve pedidos formais de parlamentares nos autos do processo, e o Supremo Tribunal Federal tratou o caso exclusivamente no âmbito técnico-jurídico, com comunicação à Procuradoria-Geral da República.
O resultado dos exames realizados no Hospital DF Star deverá ser anexado ao processo e pode embasar novos pedidos da defesa, inclusive de habeas corpus ou de revisão das condições de custódia, a depender da avaliação clínica definitiva.
Fonte: BSBREVISTA








