O general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, ex-chefe do Comando Militar do Planalto (CMP), afirmou, nesta quinta-feira (18), que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ordenou por telefone que ele issola-se a área e prendesse todos que ali estavam na noite do dia 8.
O general chefiava o CMP durante os ataques às sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro. As declarações foram feitas na CPI dos Atos Antidemocráticos, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Segundo o militar, o presidente determinou a prisão imediata dos manifestantes que estavam no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército.
As declarações foram feitas durante a CPI dos Atos Antidemocráticos, na Câmara Legislativa do DF. O general chefiava o CMP durante os ataques do dia 8 de janeiro.
“General, são criminosos. Têm que ser todos presos” determinou o presidente Lula, na noite do dia 8, segundo depoimento do general.
Ao telefone, o general informou ao presidente que temia uma invasão ao acampamento naquela hora, pela possibilidade de terminar a noite com sangue. “O presidente Lula, eu tenho uma admiração pela inteligência emocional dele, disse que seria uma tragédia e falou para isolar a praça [dos cristais] e prender todo mundo amanhã [dia 9 de janeiro]“, disse Dutra.

A Polícia Federal informou que, na manhã do dia 9 de janeiro, foram conduzidas pela Polícia Militar do Distrito Federal mais de 1.500 pessoas que estavam no acampamento em frente ao Quartel General do Exército Brasileiro em Brasília. Entre elas idosos mulheres, crianças, moradores de rua e vendedores ambulantes.


O Conselho Tutelar do Distrito Federal informou que atendeu a 20 famílias que tinham crianças presas no Quartel General do Exército, em Brasília, na segunda-feira 9 e estavam em detenção provisória na Polícia Federal.
O ex-chefe do Comando Militar do Planalto afirma que o Ministério Público Federal e o Militar não deram nenhuma ordem judicial para desmontar o acampamento antes do dia 8. “Trataram as ilegalidades que aconteceram no acampamento, como furto de energia, de água, comércio ilegal”, disse. Segundo ele, essas ilegalidades foram combatidas pelo Exército.
Segundo o general, o Exército tinha uma “estratégia indireta” de desmotivar a presença dos bolsonaristas no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Em dezembro, um militar foi orientado a ir até o acampamento, incentivar os bolsonaristas a “passarem o Natal em casa”, afirmou.
Para o militar, o acampamento acabaria naturalmente, se não fosse os atos do dia 8 de janeiro, que resultou no ataque as sedes dos Três Poderes. “Se não houvesse aquele lamentável 8 de janeiro, aquela coisa fatídica, não entendo como um grupo de pessoas faz um ato de vandalismo daquele, o acampamento acabaria naturalmente”, afirmou o general.
Assista ao trecho do depoimento do general na CPI da CLDF:








