O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, foi destituído do cargo nesta segunda-feira (16), em votação de sindicatos patronais ligados à entidade. Ele foi derrotado por 47 votos a 1, com duas abstenções, informa o Estadão.
O empresário, filho de José Alencar, vice-presidente nos dois primeiros mandatos de Lula, encerrou a assembleia antes do fim. A votação ainda terá de ser registrada em cartório, mas seus aliados afirmam que a decisão não tem validade.
“O encontro desta segunda foi definido pelo próprio Josué em dezembro, como uma resposta a um grupo de sindicatos patronais que havia marcado uma assembleia com o objetivo de tirá-lo do cargo. O executivo foi questionado em 16 pontos sobre suas viagens e reuniões realizadas em Brasília, além do manifesto em favor da democracia divulgado pela Fiesp, sem o consentimento de toda a entidade, entre outros temas”, escreve o Estadão.
Antes que fosse votada a destituição, as explicações de Josué foram rejeitadas pela maioria dos delegados presentes, por 62 votos a 24. A votação começou atrasada, no início da noite, devido ao almoço em que o presidente da Fiesp recebeu Geraldo Alckmin, que tentou prestigiar Josué.
Nos bastidores, houve um levante de sindicatos patronais vinculados à Fiesp contra Silva, visto como aliado do presidente Lula. A oposição começou no segundo semestre do ano passado, capitaneada por Paulo Skaf, antecessor de Silva. No total, são 12 motivos que levaram à queda do presidente da Fiesp.
Entre as razões está a carta supostamente a favor da democracia, que foi publicada pela Fiesp, durante o período eleitoral. O documento foi visto pelos sindicatos como um aceno ao então candidato à Presidência pelo PT, Lula.
A seguir, os principais motivos.
- Considerando que a Fiesp é um órgão representativo de classe do setor industrial, com vigorosas bandeiras e pleitos e sendo certo que muitas das questões debatidas têm origem no Congresso Nacional e no Executivo Federal e considerando que o presidente da entidade é considerado a figura máxima representativa da instituição, nos moldes dos artigos 2º, I e 18, de seu Estatuto, queira Josué Gomes a relacionar as visitas presencias realizadas à Capital Federal com a agenda da Fiesp;
- Esclarecer as razões pelas quais teria sido elaborado e publicado pela Fiesp o manifesto denominado “Em defesa da Democracia e da Justiça”, por ocasião dos atos de 11 agosto. Queira esclarecer se os sindicatos filiados foram consultados quanto ao conteúdo do texto publicado pela Fiesp e se tiveram a oportunidade de debater e deliberar sobre o tema. Queira esclarecer, também, se o texto publicado pela Fiesp teria sido debatido previamente e obtido o aval da diretoria eleita para tal conduta, de modo a representar o legítimo interesse das categorias representadas pela Fiesp, uma vez que o tal ato indicou um claro posicionamento político da entidade e que, pelo momento, teria ganhado contornos de posicionamento político e institucional, pela sua importância;
- Esclarecer o cargo e a função do senhor Antonio Machado na Fiesp. A referida pessoa até recentemente ocupava uma sala anexa ao gabinete presidencial, utilizando das dependências e pessoas desta federação, com pleno acesso ao presidente e realizando reuniões com os presidentes de conselhos temáticos e demais funcionários da federação, inclusive dando ordens e orientações ao pessoal administrativo, podendo expor a entidade a passivos trabalhistas e tendo acesso, ainda, a informações pertinentes apenas a esta Federação.
fonte: atrombetanews








