Eles foram condenados por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. Defesa quer anulação do júri.
O Tribunal do Júri condenou a mais de 40 anos de prisão pela morte do menino Rhaniel Pedro a mãe; Ana Patrícia, o padrasto, Vítor Oliveira; e Wagner Oliveira, tio da criança. Eles foram condenados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. O julgamento dos acusados aconteceu na segunda-feira (12) e o resultado foi divulgado no final da noite. Cabe recurso da decisão.
As penas foram as seguintes:
- Ana Patrícia da Laurentino- 41 anos e 5 meses em regime fechado
- Vítor Serafim de Oliveira- 49 anos e 10 meses em regime fechado
- Wagner Oliveira- 41 anos e 5 meses em regime fechado
“Tínhamos provas irrefutáveis e sustentamos a acusação com todas as qualificadoras da denúncia. Tivemos um debate extenso, sabíamos que a defesa tentaria desclassificar, colocar em dúvida, usar todos os elementos para inocentar os réus, mas chegamos ao tribunal do júri confiantes de que a justiça seria feita e precisávamos dela para Rhaniel, um menino de apenas 10 anos e assassinado barbaramente. Cumprimos a nossa missão, que é a de promover justiça, e o conselho de sentença compreendeu que estávamos certos ao apontá-los como os criminosos entendendo que deviam ser condenados à prisão em regime fechado”, ressalta o promotor Ary Lages Filho.
Os advogados dos réus informaram que entraram com pedido para anulação do julgamento, por entenderem que o resulto do júri foi contrário às provas que constam no processo e que seus clientes são inocentes.
O júri popular
O pai de Rhaniel Pedro prestou depoimento no júri popular. Por videoconferência, já que mora em Pernambuco, Otoniel Severino da Silva contou o que ouviu da ex-mulher sobre o desaparecimento do filho à época.
A versão inicial da família era de que a criança tinha desaparecido ao sair de casa para a aula de reforço. “Ela disse a mesma coisa, que ele saiu para a escola, deu a bênção, fechou a grade e sumiu, não apareceu mais. Sempre disse a mesma versão que está sustentando até hoje”, afirmou Otoniel Severino da Silva.
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Rhaniel Pedro foi morto aos 10 anos em Maceió — Foto: Arquivo Pessoal
Antes do pai da vítima, quem abriu os depoimentos foi uma vizinha da família, que contou que a mãe de Rhaniel foi até a sua casa para imprimir as fotos do menino para tentar ajudar nas buscas durante o desaparecimento, mas que nunca demonstrou desespero.
O advogado Gabriel Sena, que atua na defesa de Vítor e Wagner, disse que os réus são inocentes. “Sustentamos a tese da fragilidade das provas. As provas genéticas não são conclusivas e não colocam o Wagner e nem o Vítor na cena do crime. Além da falta de testemunhas. Então há muitas falhas na investigação”, disse.
A defesa de Ana Patrícia também alega inocência. A mãe dela se emocionou durante o júri e disse que não acredita que a filha tenha participação no assassinato do neto. “Não acredito que ela tenha feito isso”, afirmou Maria Regina.
Vizinha da família prestou depoimento no júri do caso de Rhaniel — Foto: MP
Crime chocou vizinhos no Clima Bom
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Mãe de Rhaniel Pedro, Ana Patrícia Laurentino dos Santos, e o padrasto, Victor Oliveira, no dia do sepultamento do corpo da criança — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Rhaniel Pedro Laurentino da Silva, de 10 anos, foi encontrado morto em uma calçada no bairro em que morava, no Clima Bom. À época, a versão apresentada pela família à polícia foi de que ele tinha desaparecido um dia antes, ao sair de casa para ir ao reforço escolar.
Durante as investigações sobre a morte do menino, a Polícia Civil prendeu o padrasto dele, Vítor Serafim de Oliveira pelo estupro de uma prima de Rhaniel, uma menina de 12 anos.
Meses após a prisão de Vítor de Oliveira, a polícia prendeu a mãe de Rhaniel, Ana Patrícia da Silva Laurentino Lourenço, e o irmão de Vítor, Wagner de Oliveira Serafim, pelo assassinato do menino.
Os três acusados foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável.
Para os investigadores, Rhaniel foi assassinado por espancamento e depois um objeto foi introduzido no ânus da vítima morta para que a polícia acreditasse que se tratava de um crime sexual. Um preservativo foi encontrado no local onde estava o corpo, mas nele tinha apenas material genético de Rhaniel.
Fonte: G1








