Médicos da Universidade Duke, nos Estados Unidos, anunciaram nesta segunda-feira (7) terem feito um transplante duplo inédito no mundo em um bebê – com uma técnica para ajudar a evitar a rejeição dos órgãos.
O bebê Easton Sinnamon tinha apenas 6 meses quando recebeu, em agosto passado, um transplante de coração e do timo – um órgão pequeno e achatado, em forma de borboleta, que fica entre os pulmões, atrás do osso esterno e na frente do coração.
O timo desempenha um papel crucial na construção do sistema imunológico – em bebês e crianças, é relativamente grande, mas, conforme a pessoa cresce, ele vai diminuindo de tamanho. Exames feitos cerca de 6 meses em Easton depois mostram que o novo timo está funcionando bem.
Easton foi candidato ao transplante experimental porque tinha dois problemas de saúde: nasceu com alguns defeitos cardíacos que, mesmo com cirurgias logo após o nascimento, não puderam ser corrigidos.
Além disso, teve infecções recorrentes – até que os médicos perceberam que seu timo não estava funcionando corretamente. O bebê precisou passar os primeiros 7 meses de vida no hospital da universidade.
“Foi uma daquelas coisas que poderiam ajudá-lo e, se funcionasse não apenas o ajudaria, mas também pode ajudar milhares de outras pessoas com seus filhos que precisam de transplantes”, disse Kaitlyn Sinnamon, mãe de Easton, sobre o transplante.
Potencial revolucionário
O transplante duplo feito no bebê tem potencial de “mudar a cara” dos transplantes de órgãos sólidos, segundo o médico que realizou o procedimento, Joseph Turek.
Isso porque tanto o coração quanto o timo que Easton recebeu vieram do mesmo doador. Assim, a expectativa era de que o timo estabelecesse o sistema imunológico do doador como se fosse o do receptor – evitando a rejeição do coração.
“Isso permite que o timo reconheça por si mesmo o coração”, declarou o médico que fez o transplante, Joseph Turek, em um vídeo divulgado pela universidade.
A abordagem havia se mostrado promissora em experimentos com animais, inclusive no laboratório de Turek em Duke, mas não havia sido testada antes em um receptor de órgão vivo.
A ideia é induzir o que se chama de tolerância imunológica a um transplante. Os médicos ainda pretendem, no futuro, fazer com que Easton pare de receber as drogas imunossupressoras de que precisa hoje.
“Se essa abordagem for bem-sucedida, isso significaria que os receptores de transplante não rejeitariam o órgão doado e também não precisariam se submeter a tratamento com medicamentos de imunossupressão de longo prazo, que podem ser altamente tóxicos, principalmente para os rins”, disse Turek.
“Esse conceito de tolerância sempre foi o Santo Graal no transplante, e agora estamos na porta”, completou o médico.
Se funcionar, o procedimento pode ser tentado com transplantes de outros órgãos. No caso do coração, por exemplo, os que são transplantados costumam ter uma vida útil média de 10 a 15 anos – com a durabilidade limitada pela toxicidade dos medicamentos imunossupressores.
“Se isso puder ser extrapolado para pacientes que já têm um timo funcional, poderia permitir que eles reestruturassem seus sistemas imunológicos para aceitar órgãos transplantados com substancialmente menos dependência de medicamentos antirrejeição. O método de processamento usado para o tecido do timo parece ser crítico e de grande interesse”, declarou Allan D. Kirk, presidente do Departamento de Cirurgia de Duke.
Fonte: TerraBrasilNoticias








