Formada em engenharia ambiental pela PUC-Campinas (SP), Letícia Vilhena Ferreira, de 32 anos, está presa nos Estados Unidos. A mulher foi identificada pelo FBI em imagens de dentro do Capitólio durante a invasão registrada em janeiro de 2021, um ato que tentava impedir funções do governo americano.
Uma ex-aluna da PUC, que preferiu não se identificar, disse que foi colega de turma de Letícia e que a mulher tinha um comportamento normal na faculdade de engenharia. Além disso, contou que logo depois da formatura, Letícia se mudou para os EUA.
Carreira interrompida
Fluente em inglês e espanhol, a mulher, que tem visto de trabalho nos EUA, atuava na filial americana de uma empresa do ramo de projetos sustentáveis voltados para embalagens. Antes, ela trabalhou na filial mexicana da mesma empresa.
Na quarta-feira (16), a carreira dela foi interrompida. Ela foi detida em casa, na cidade de Indian Head Park, no estado de Illinois, acusada de ter agido conscientemente para entrar, sem autorização, na sede do Congresso dos Estados Unidos junto a outros apoiadores do ex-presidente Donald Trump.
Também foi acusada de ter se envolvido em conduta desordenada para impedir a condução de funções oficiais do governo. Nas imagens de câmeras de segurança analisadas na investigação, ela aparece com um gorro vermelho com a inscrição “Trump”.
O atual presidente, Joe Biden, tinha acabado de vencer a eleição, e os opositores protestavam para tentar reverter o resultado das urnas.
‘Fui tão irresponsável’
Mensagens de celular em inglês interceptadas pelos agentes do FBI mostraram uma conversa de Letícia com outra pessoa sobre o ocorrido, um dia depois da invasão.
A brasileira enviou o seguinte texto: “Você acha que eles vão atrás de todas as pessoas que foram à área do Capitólio?”.
A outra pessoa teria afirmado em resposta:“Não fique triste. Esteja preparada. Estamos todos ferrados. Sim, eles vão procurar todas essas pessoas”. Leticia, por sua vez, teria respondido: “Fui tão irresponsável de andar lá”.
Letícia conta, segundo o documento da justiça americana, que estava só caminhando, pacificamente, com uma família, um homem e dois filhos. Diz saber que havia câmeras no prédio e se mostra preocupada em ser identificada, e parece estar arrependida.
“Eu sou tão irresponsável. Ontem foi incrível”, escreveu.
O documento cita, ainda, que ela disse aos agentes que fez fotos e vídeos da movimentação no Capitólio com seu telefone celular, e que cedeu essas imagens para as investigações. Não foram localizadas informações sobre a defesa dela no texto.
As apurações sobre quem esteve no Capitólio no dia 6 de janeiro de 2021 começaram logo após a invasão. Em abril do mesmo ano, autoridades americanas afirmaram que foram à casa da brasileira na cidade de Indian Head Park, no estado de Illinois.
Na ocasião, ela teria dito que foi a Washington para ver um discurso do então presidente Donald Trump e que não votou na eleição de 2020. No entanto, acabou não acompanhando a fala do político porque decidiu seguir uma multidão que caminhava em direção ao Congresso.
Letícia entrou e permaneceu no local por cerca de 20 minutos, segundo as investigações do FBI, que também apontaram que ela não parece ter participado de nenhuma agressão aos oficiais naquela data.
Até janeiro de 2022, portanto um ano após o caso, mais de 725 pessoas foram presas e indiciadas. Mas o departamento de investigações americano acredita que seriam ao menos 2 mil envolvidos, apontou a agência France Presse.








