Apenas 3% das vítimas fatais não haviam tomado nenhuma dose dos novos imunizantes. Após pressão de jornais, responsáveis prometeram “revisar” os dados
Nos últimos dez dias, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal resolveu divulgar, junto da relação de mortes diárias por covid no seu Boletim Epidemiológico, o status vacinal dos falecidos.
Conforme os dados oferecidos pelo órgão, de 1 a 10 de fevereiro foram registrados 91 óbitos; desses pacientes:
- 75 haviam tomado pelo menos uma dose da vacina;
- 53 haviam tomado duas doses;
- 13 haviam tomado a dose de reforço;
- 3 não haviam tomado nenhuma dose;
- 13 não tiveram o status vacinal identificado.
Trocando em miúdos, 82,4% das vítimas de covid-19, no Distrito Federal, neste recorte de tempo, estavam parcial ou completamente vacinadas. Por outro lado, apenas 3,2% dos falecidos entraram na conta dos não-vacinados. Isso se subtrairmos os 13 mortos dos quais não se sabe o status vacinal — se contabilizarmos apenas o total de 78 vítimas das quais se sabe se tomou ou não os “imunizantes”, pode-se dizer que mais de 96% dos mortos receberam ao menos uma dose.
Segundo um especialista que não quis se identificar, esses números, apesar de serem um recorte de poucos dias, são relevantes para se levantar o debate sobre o real papel dos novos “imunizantes” no atual contexto da pandemia. A promessa das farmacêuticas, órgãos reguladores, políticos e de parte da comunidade científica, era de que as vacinas evitassem a evolução da doença a estados mais graves e consequentemente evitassem os óbitos.
Segundo o mesmo especialista, os números DF são de importância internacional, já que em todo o mundo ainda não há clareza quanto ao status vacinal das vítimas mais recentes do coronavírus.

Jornais não gostaram da informação
Alguns veículos de imprensa viram na informação — publicizada pelo órgão competente em cumprimento de um dever constitucional — um desestímulo à vacinação ou reforço de teses chamadas de “negacionistas”, não raro atribuídas a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, a quem fazem oposição, pressionaram a Secretaria, que já prometeu revisar os boletins divulgados.
Confira a nota:
A Secretaria de Saúde esclarece que, devido a vacinação contra a covid-19 atualmente se configurar como uma das principais estratégias de enfrentamento da doença e influenciar diretamente no perfil epidemiológico, entende-se ser essencial a inserção das informações de doses de vacina aplicadas nos documentos de caracterização de casos e óbitos de covid-19.
Além disso, a Secretaria de Saúde tem compromisso com a transparência das informações prestadas à população. Por fim, entendendo que a divulgação de dados podem gerar interpretações errôneas, a Secretaria de Saúde está revisando os informes no intuito de mitigar os possíveis equívocos.
Fonte: BrasilSemMedo









