A pandemia de covid-19 e as medidas adotadas para respondê-la devem levar o Canadá à mais severa crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial e fazer com que o déficit orçamentário do país cresça quase dez vezes em relação às previsões pré- crise.
As estimativas constam em um relatório publicado pelo governo de Justin Trudeau nesta quarta-feira, a primeira atualização sobre o estado das finanças públicas em quase seis meses.
O documento projeta uma queda de 6,8% do PIB canadense neste ano e uma disparada do déficit orçamentário, que deve atingir US$ 252,3 bilhões no ano fiscal 2020/2021.
Antes da crise, a previsão era de US$ 28,1 bilhões.
“Com uma crise dessa magnitude, alguém teria que arcar com Os custos, e o governo federal estava em uma posição única para assumir essa responsabilidade, disse o ministro das Finanças, BilI Morneau.
O ministro ainda afirmou que o Canadá enfrenta uma situação extraordinária e que os gastos são necessários para proteger a população e os empregos durante a crise.
Segundo Morneau, as medidas fiscais para responder à crise, que incluem subsídios a salários e apoio à renda, representam mais de US$ 157 bilhões. O aumento nos gastos públicos provocado pela pandemia fez a agência de classificação de risco Fitch retirar o “triplo A” do Canadá no fim de junho. A Fitch explicou a decisão afirmando que o governo de Trudeau já havia adotado políticas fiscais mais flexíveis antes da crise.
A Moody’s e a S&P Global mantém a nota “triplo A” para o país.
A atualização desta quarta-feira indica que a economia canadense estaria em uma situação muito pior sem as medidas adotadas pelo governo. Segundo o documento, sem os gastos extras, o PIB do país poderia recuar mais de 10% neste ano.
A taxa de desemprego também seria maior em dezembro. Depois de um surto inicial, o Canadá vem registrando menos de 500 casos de covid-19 por dia, segundo a Universidade Johns Hopkins. Medidas restritivas adotadas pelo governo em março já foram flexibilizadas em quase todo o país desde então. No total, desde o início da pandemia, 108 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença no país.
Ao menos 8,7 mil morreram.








