A mãe da estudante Roberta Dias, que desapareceu grávida em 2012 e teve a ossada encontrada nove anos depois no Pontal do Peba, em Piaçabuçu, disse nesta terça-feira (14), dia em que a Perícia Oficial de Alagoas confirmou que os restos mortais são de sua filha, que quer a punição dos culpados pelo crime.
Mônica Reis, a mãe da jovem, falou em entrevista exclusiva sobre os nove anos de buscas pela filha.
“Eu lutei para achar os ossos por nove anos e consegui. Agora é esperar que a justiça seja feita porque a de Deus já foi feita, falta a dos homens. Enquanto eu não vir que houve a justiça, eu não vou sossegar. Ainda não estou em paz porque é como se esse homicídio tivesse sido hoje”, disse a mãe.
Roberta Dias desapareceu em Penedo, no início de 2012 depois que saiu de casa para ir a uma consulta médica, no Centro da cidade, e não voltou mais. As investigações apontam que Roberta foi sequestrada e levada até um local deserto, onde foi asfixiada com um fio de som de carro. Depois, teve o corpo enterrado em uma cova rasa.
Com o andamento das investigações, o Ministério Público do Estado (MP-AL) denunciou duas pessoas em 2018 por envolvimento no assassinato: Mary Jane Araújo Santos e Karlo Bruno Pereira Tavares, que respondem ao processo em liberdade.
Os acusados são mãe e amigo de Saulo de Thasso Araújo Santos, pai do filho que Roberta estava esperando. Uma audiência de instrução está marcada para o dia 27 deste mês, em que serão ouvidas cinco testemunhas e os dois acusados.
“Foram nove anos incansáveis de busca, que terminaram hoje. Só espero que a justiça seja feita porque tem o laudo e os culpados . Então vamos ver agora no que vai dar”, comentou a mãe.
Em 2018, o G1 teve acesso a um laudo pericial produzido pela Polícia Federal de uma conversa gravada em áudio em quem Karlo Bruno admite que ajudou o pai do filho de Roberta a assassiná-la. Na conversa, Bruno conta que o amigo não queria a criança e temia a reação do pai quando soubesse da gravidez.
Saulo, contudo, não é acusado na ação penal. O promotor Sitael Lemos explicou que ele não foi denunciado porque era menor de idade à época do crime, e foi citado no processo apenas como testemunha.
A reportagem do G1 entrou em contato com a defesa de Karlo Bruno, que informou que prefere não se manifestar neste momento, e vai aguardar a audiência. O advogado Ricardo Soares Moraes adiantou que “no entender da defesa do Karlo Bruno, tal esclarecimento [confirmação de que a ossada é de Roberta Dias], em tese, não interfere, especificamente na nossa defesa. Reconhecemos que é uma evidência processual importante, mas não muda a linha de defesa em busca do que acreditamos que vai levar a verdade dos fatos”.
Já Mary Jane, teria sido “a mentora e financiadora da empreitada criminosa”. Durante o crime, segundo a acusação, ela ligou três vezes para o filho “evidenciando a orquestração da trama”, disse o promotor responsável.
Em 2013, ela ficou presa por 60 dias, mas foi liberada após o fim da prisão temporária. Em contato com o G1, a defesa da acusada informou que não se pronunciaria sobre o caso neste momento.








