Ex-funcionários da empresa de ônibus Veleiro fecharam parte da Av. Fernandes Lima, em Maceió, nesta sexta-feira (25). Demitidos há 7 meses, eles cobram pagamento de salários atrasados, férias, o recolhimento do FGTS e outros direitos trabalhistas. A Polícia Militar foi acionada e o ato terminou em confusão, tiros de balas de borracha, bombas de efeito moral e pessoas feridas.
O protesto começou às 7h e terminou às 9h30, depois da ação policial. Com o trânsito bastante congestionado e os ônibus impedidos de passar pela avenida nos dois sentidos, os passageiros tinham que descer dos coletivos e continuar o trajeto a pé.
Por meio de nota à imprensa, a Veleiro informou que já existem ações judiciais discutindo os direitos pleiteados pelos funcionários demitidos e criticou a manifestação. “Se todos os problemas tiverem que ser resolvidos desta forma, a sociedade viverá em anarquia”, (leia na íntegra ao final do texto).
De acordo com os manifestantes, o Grupo de Gerenciamento de Crises da PM falou com um representante da empresa, que informou que não tinha nada a fazer a respeito da cobrança dos ex-funcionários. Diante disso, os policiais pediram o desbloqueio da avenida, mas os rodoviários se recusaram.
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Funcionários da Veleiro protestam na Avenida Fernandes Lima, em Maceió — Foto: Reprodução/G1
O impasse gerou confusão com policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que também estavam no local.
“O Bope começou a atirar porque a gente se recusou a acabar o protesto. A gente organiza um protesto pacífico e a polícia se une com essa empresa caloteira”, disse Sandro Régis, do Sindicato dos Trabalhadores do Transportes Rodoviários (Sinttro).
As balas de borracha atingiram três homens. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou que prestou atendimento médico no local a três vítimas do sexo masculino com escoriações.
Durante a confusão, um ônibus da empresa Veleiro teve uma das janelas quebradas e um pneu furado. Duas pessoas foram detidas e levadas para a Central de Flagrantes I, no bairro do Farol.
Por meio das redes sociais, o governador Renan Filho (MDB) justificou a atitude da polícia. “Acionado, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) desbloqueou a Av. Fernandes Lima, em Maceió. Protestar é democrático; impedir o direito de ir e vir das pessoas, não. Não aceitaremos arbitrariedade”, disse.
No mês de agosto, os manifestantes organizaram outros protestos, mas até agora não tiveram as suas reivindicações atendidas.
Leia abaixo a íntegra da nota da Veleiro:
A empresa Veleiro vem através desta nota informar o seu repúdio as atitudes tomadas nessa manifestação realizada hoje.
Como dito anteriormente, as manifestações vêm sendo realizadas por pessoas que já foram demitidas e por outras pessoas que nunca fizeram parte da empresa Veleiro e são ligadas ao Sindicato dos Rodoviários.
Chama atenção que vários manifestantes usam a farda da Veleiro para querer demonstrar que são empregados da Veleiro, mas não são.
Outro fato que merece destaque é que já existem ações judiciais discutindo os direitos pleiteados pelos funcionários demitidos, com ações propostas pelo Sindicato dos Rodoviários, Ministério Público e dos próprios ex-funcionários, mas o local de discussão de litígio é na justiça.
A conduta desses manifestantes ultrapassa o direito constitucional de manifestação e viola o direitos dos outros.
Ocorre que os fatos praticados pelos manifestantes podem, em tese, ser configurados como crime de coação no curso do processo, de atentado contra o funcionamento do Transporte Público, de dano contra o patrimônio público e privado.
A manifestação ocorrida hoje foi uma surpresa para todos, uma vez que ontem foi realizada uma audiência na Justiça do Trabalho, na qual a empresa informou que já entregou uma proposta ao MPT para por fim aos litígios, inclusive com a presença do Sindicato dos Rodoviários.
No entanto, todos foram pegos de surpresa com os fatos de hoje.
Necessário reforçar que a empresa Veleiro também é interessada que não ocorram litígios e eventos como os ocorridos hoje.
O cenário econômico do Brasil é crítico em virtude da pandemia provocada pelo COVID-19 que atingiu vários segmentos econômicos, inclusive o segmento da Veleiro, o qual já vem sofrendo desequilíbrio econômico-financeiro há algum tempo.
Se todos os problemas tiverem que ser resolvidos desta forma, a sociedade viverá em anarquia.
Atualmente, 400 famílias dependem da Veleiro e não há salário e/ou tíquete alimentação atrasados, apesar de todo o cenário de crise econômica e grave desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.
No mais, a Empresa Veleiro se resguardará e aguardará o andamento judicial.
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Por causa do protesto, pedestres estão tendo que seguir viagem a pé — Foto: Ana Paula Silva/G1
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Ex-funcionários da Veleiro fazem novo protesto na Fernandes Lima, em Maceió — Foto: Pedro Ferro/G1
Fonte: G1








