O atacante Zé Carlos é um daqueles personagens que marcaram história do futebol alagoano. Com personalidade forte, avisa logo que não gosta de voltar para casa derrotado.
Foi assim que ajudou o CRB a encarar o poderoso Inter na Série B de 2017 e vencer o jogo por 2 a 0. Foi assim que virou artilheiro por onde passou.
Aos 36 anos, ele admite também que errou muitas vezes, que poderia ter ido até mais longe na carreira, mas disse que hoje está em paz, que pensa muito antes de agir.
Numa entrevista longa concedida ao GloboEsporte.com, o jogador falou sobre muita coisa: a infância humilde na Chã da Jaqueira, o objetivo de se tornar um profissional do futebol, a primeira equipe, os deslizes na carreira e a retomada na vida foram temas da conversa.
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Zé Carlos disse que sempre foi torcedor do CRB — Foto: Zé Carlos/Arquivo pessoal
A carreira começou no final da década de 1990. Curiosamente, foi um ídolo do CSA que descobriu o talento de Zé do Gol.
– Meu primeiro time foi o Dínamo, que era comandado pelo Peu, campeão mundial pelo Flamengo, e o Jorge Siri, irmão dele. Passei um ano no Dínamo, depois o clube fechou, passei um tempo parado e em seguida surgiu a oportunidade para jogar no Atlântico, que era um clube com divisões juvenil e juniores. Foi ali que tudo começou. Dali, eu tive uma passagem no Corinthians-AL, foi muito boa, onde eu tive oportunidade de ir pela primeira vez pra fora do Brasil. Fui para o Porto, de Portugal.
Sair da periferia da capital alagoana e encarar a Europa não foi tarefa fácil. Se não fosse um amigo da bola, o enredo da história poderia ser outro.
– Foi difícil porque a gente passou a infância toda na Chã da Jaqueira, buscando um objetivo, e quando eu cheguei em Portugal, na primeira semana, quis voltar, com saudade da minha família, saudade de casa, e depois de um tempo tive ajuda de um amigo, Serginho Baiano, que tempos depois também jogou aqui no Corinthians-AL. Sou muito grato a ele por te me ajudado a ficar em Portugal.
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Zé Carlos tem hoje 36 anos — Foto: Gustavo Henrique-ASCOM CRB
Três anos depois, Zé Carlos voltou para o CRB. Na mesma temporada, foi emprestado para o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul. No retorno ao Brasil, em 2009, defendeu o Paulista e na sequência viu a grande oportunidade da carreira surgir ao ser negociado com o Cruzeiro.
A chance de marcar o nome no futebol brasileiro se tornou até um trauma em 2009. A trajetória dele em Belo Horizonte foi interrompida por uma expulsão com apenas sete segundos de jogo, num clássico contra o Atlético-MG. De acordo com Zé Carlos, aquele jogo no Mineirão foi também um aprendizado de vida.
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Zé Carlos começou no Corinthians-AL — Foto: Jota Éder/Timaço Som Maior
– Aquilo ali foi um lance que aconteceu comigo (ele acertou uma cotovelada em Renan) já aconteceu com vários jogadores. Na época, me fez amadurecer demais. Eu tive personalidade naquele momento. Quando cai a ficha, é muito difícil, mas depois eu tive o apoio da minha família e superei aquilo. Bola pra frente!
Não foi violência, foi um lance que nem eu esperava. Mas a gente fica triste, uma coisa que fica marcada.
Zé Carlos demorou, saiu do país novamente, mas voltou para o clube do coração em 2015. Ele não esconde a paixão que tem pelo Galo. É uma história de amor, garante, mas que carrega também páginas de deslizes.
– A minha história com o CRB já vem de infância. Sou muito grato por tudo. Sei que muitas vezes errei, mas sempre buscando ajudar ao clube, fazer o meu melhor, ajudar aos meus companheiros… Uma coisa que não existe preço. Existe hoje uma gratidão muito grande da minha parte com o CRB, ao torcedor.
Eu vivi muitos momentos bons. Os ruins, a gente sabe que é pressão pelo meu comportamento fora de campo, mas isso passou, hoje eu tenho uma mentalidade totalmente diferente.
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Zé Carlos e CRB, uma história marcante — Foto: Ailton Cruz / GloboEsporte
Com mais de 100 partidas vestindo a camisa do clube do coração, Zé Carlos escolheu o jogo que mais marcou.
– Eu tenho muitos jogos de destaque pelo CRB, mas o que fica marcado pra mim foi a final do Alagoano de 2015, quando entrei em campo com uma lesão na coxa, uma abertura de 2 centímetros, fiz gol e, com certeza, é o que mais marcou.
Ali foi a realização de um sonho, campeão alagoano. Então esse foi o meu maior jogo pelo CRB.
Prestes a completar 37 anos, o atacante admite que os erros prejudicaram a carreira.
– Com certeza! [Sou uma pessoa melhor]. Os meus erros me atrapalharam na época, mas hoje a gente para pra pensar, começa a refletir e vê que aí precisa consertar.
Umas das coisas que eu paro pra pensar e estou muito feliz é pelo jeito que eu estou, com a minha mudança pessoal.
Zé Carlos fez questão de dizer que é do bem. Às vezes, disse que muda dentro de campo.
– Minha personalidade é forte. Eu sou um cara que fora de campo sou totalmente diferente. Gosto de ajudar as pessoas, sou um cara que não tem vaidade, a gente foi a vida assim e não será hoje que vai ser diferente.
Zé Carlos adolescente: tudo começou na Chã da Jaqueira — Foto: Zé Carlos/Arquivo pessoal
Zé Carlos conta que, se voltasse no tempo, diria ao menino da Chã para nunca pensar em parar.
– Que nunca desista, tente sempre vencer, sempre buscar ajudar a família, vá em busca do sonho. Foi assim que aconteceu comigo, eu perdi minha mãe muito cedo, mas pude fazer as coisas que ela sempre pediu pra mim. Eu tenho certeza que de onde ela estiver estará feliz porque pude dar o melhor pra ela.
Ela era merendeira, eu dei uma casa, dei uma vida e hoje eu posso ir a qualquer lugar e dizer que pude realizar o sonho da minha mãe.
Atualmente, Zé Carlos defende o São Bernardo, na Série A2 do Campeonato Paulista. Antes da parada do futebol por causa da pandemia do novo coronavírus, o atacante tinha jogado três partidas no ABC.
Fonte:GloboEsporte
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