O delegado que investiga o naufrágio de um catamarã ocorrido no último fim de semana em Maragogi, Litoral Norte de Alagoas, disse que trabalha com a hipótese de homicídio culposo. Nesta terça-feira (30), mais três pessoas foram ouvidas, entre elas o marinheiro que comandava a embarcação.
O catamarã afundou no último sábado (27). O barco levava um grupo de turistas da cidade de Eusébio, no Ceará. Duas pessoas morreram. Elas foram identificadas como Maria de Fátima Façanha da Silva, 65, e Lucimar Gomes da Silva, 69. Não há desaparecidos.
Os primeiros depoimentos foram colhidos ainda durante o sábado, quando o inquérito foi aberto.
Em entrevista à imprensa , o delegado Aylton Soares Prazeres disse que ainda aguarda o relatório da Capitania dos Portos para então começar a apurar as responsabilidades sobre o acidente, já que ainda não há certeza sobre de quem era a embarcação. O órgão, no entanto, já confirmou que a documentação do catamarã estava regularizada.
A confusão a respeito da propriedade se dá porque o barco está no nome de Simone Leite. O marido dela disse ao G1 que o catamarã foi vendido para o irmão do ex-prefeito Marcos Madeira, mas era usado pelo restaurante que pertence ao filho de Madeira. A venda, no entanto, nunca foi oficializada junto à Marinha.
Prazeres disse ainda que no decorrer da investigação vai apurar outras hipóteses. Algumas testemunhas ouvidas anteriormente também falaram sobre a possibilidade de o acidente ter ocorrido por uma fatalidade. Nos próximos dias, outras pessoas serão chamadas a depor na delegacia.
Marinheiro depõe
O catamarã era guiado pelo marinheiro Ivanilton Oscar da Silva, que é funcionário da empresa contratada para realizar o passeio.
O advogado dele, Rommel Prado, disse que o barco havia sido emprestado pelo restaurante do filho do ex-prefeito, porque a embarcação originalmente contratada não comportava o tamanho do grupo de turistas.
“Existia um alerta da Marinha falando sobre as condições do tempo, e proibindo a navegação até as 9h da manhã do sábado. Todas as testemunhas confirmam que o tempo estava bom e navegável. O marinheiro verificou todas as condições da embarcação, inclusive, disse que havia coletes sobrando para os passageiros”, afirma Prado.
O advogado diz ainda que o cliente nega que o barco tenha batido em uma pedra antes de naufragar. “Durante o passeio, começou a ter ondas fortes, e começou a entrar água no barco, que foi afundando aos poucos. Não foi de uma vez só. Meu cliente tentou voltar quando o mar ficou bravo, mas não conseguiu”.
Duas testemunhas do acidente ouvidas anteriormente pela reportagem,disseram que os coletes não foram distribuídos para os passageiros, e que, quando o barco começou a afundar, o marinheiro “mandou todo mundo ir para o outro lado”, fazendo com que a embarcação tombasse e começasse a afundar.
Prado nega as duas informações. “Como esses passeios não vão para alto-mar, não é obrigatório que as pessoas usem coletes, apenas os menores de 12 anos. A obrigatoriedade é apenas que tenha esses equipamentos. Quando a água começou a entrar no barco, ele foi pegar os coletes para distribuir para as pessoas, que ficaram nervosas. Foi todo mundo para um lado só, nervoso, e o barco acabou virando”.
O advogado conclui dizendo que o barco tinha condições de navegação, e que seu cliente já tem mais de 10 anos de experiência. “A informação que eu tenho é que o catamarã estava com o seguro em dia, a licença também e tudo revisado. As galés estavam fechadas, mas era um passeio de mergulho, e as piscinas estão sempre abertas, independente da maré estar ou não favorável para navegação”.
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Infográfico sobre naufrágio em Maragogi, Alagoas — Foto: Arte/G1
fonte: G1








