O júri do assassinato de Guilherme Brandão, dono da casa de shows Maikai, começou na manhã desta quinta-feira (13) na 9ª Vara Criminal, no Fórum do Barro Duro, em Maceió. O réu Marcelo dos Santos Carnaúba está sendo julgado como autor do homicídio, cometido em 26 de fevereiro de 2014. O júri é conduzido pelo juiz Geraldo Amorim.
Os promotores de Justiça Leonardo Novaes Bastos e Marcus Vinícius Batista Rodrigues Júnior são responsáveis pela acusação. O advogado contratado pela família de Brandão é José Fragoso e o do réu é Raimundo Palmeira.
Nove testemunhas serão ouvidas. Cindo da promotoria e quatro da assistência de acusação. Entre elas a viúva, o pai e funcionários de Carnaúba. A primeira testemunha foi Rodrigo Palmeira, fornecedor de gelo para a casa de shows.
Marcelo Carnaúba foi preso em 2014, dias após o crime. Ele vai responder por homicídio triplamente qualificado em virtude de motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de outro delito.
Carnaúba também vai responder por ter alterado o lugar em que ocorreu o assassinato, na tentativa de atrapalhar as investigações.
Em entrevista o pai da vítima, José Eutímio Brandão, falou sobre a expectativa para o julgamento e a falta do filho.
“Nós lidamos há 5 anos, 3 meses e 18 dias com a falta dele. Eu confio primeiramente em Deus e em segundo lugar na Justiça alagoana. Tem sido muito severo. Tenho uma saudade muito grande da vida que nós levávamos, da maneira que meu filho vivia. Temos que pedir a Deus, a clamar por Justiça”, disse Eutímio Brandão.
O Ministério Público deve pedir condenação máxima para Carnaúba. “O MP defende a tese de homicídio qualificado, ele cometeu o crime para encobrir as fraudes na empresa. A vítima foi morta com um tiro na nuca, sem chances de defesa. Ele também fraudou a cena do crime e fez o retrato falado de autores do crime que nunca existiram”, disse o promotor Leonardo Novaes Bastos.
A tese da defesa, feita pelo advogado Raimundo Palmeira, é de que o crime não foi premeditado, nem cometido para ocultar desvios financeiros. “As transferências da empresa para Marcelo eram pagamentos por compras realizadas no cartão do réu”, afirmou.
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Familiares e amigos de Guilherme Brandão no julgamento — Foto: Carolina Sanches/G1
Crime
Guilherme Brandão foi morto em 26 de fevereiro de 2014, dentro da casa de shows, que fica no bairro da Jatiúca, parte baixa da capital.
A princípio, as informações sobre o caso davam conta de que dois homens haviam entrado armados no estabelecimento, atiraram no empresário e fugiram levando cerca de R$ 2 mil.
Dias depois, no entanto, Marcelo Carnaúba, que era gerente administrativo e financeiro do local, confessou a autoria do crime. À polícia, ele disse que havia comprado uma arma no bairro do Tabuleiro e, após uma discussão no escritório, atirou contra Brandão.
Investigações concluíram que o réu estava desviando dinheiro dos negócios, até que foi descoberto pelo empresário, que ameaçava denunciá-lo à polícia. Pressionado, o gerente armou a morte do patrão de forma a parecer um assalto.
Ainda de acordo com as investigações, o gerente teria ligado o gerador da casa de shows para evitar que alguém ouvisse o disparo. Ele retornou ao escritório e atirou após ser empurrado por Brandão para fora da sala.
“Já dentro da sala, Brandão foi atingido por um disparo de arma de fogo na região da nuca, o que nos fornece a certeza de que o empresário recebeu o ataque nas costas e pelas costas, vale dizer, por traição e de forma a não ter qualquer chance de defesa”, disse um trecho da denúncia do MP.
Em 2015, a defesa do réu entrou com um pedido de habeas corpus, que foi negado pela Justiça.
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Corpo de Guilherme Brandão foi encontrado dentro do escritório de sua empresa. — Foto: Reprodução/Facebook
fonte: G1








