O Ministério Público Estadual (MP-AL) informou nesta segunda-feira (22) que denunciou Benício Vieira de Lima, ex-funcionário da Câmara Municipal de Maceió, suspeito de ser estuprador em série, por três crimes: estupro qualificado, sequestro e roubo majorado.
As denúncias foram ajuizadas pelos promotores de Justiça Lucas Carneiro e Dalva Tenório, das 59ª e 60ª Promotorias de Justiça da Capital, na última quinta-feira (18).
As ações penais relatam os crimes praticados nos dias 22 de novembro e 19 de dezembro de 2018 e em 13 de fevereiro deste ano, contra adolescentes de 14, 16 e 17 anos, respectivamente. De acordo com a denúncia, todos os crimes têm qualificadoras que agravam ainda mais os crimes praticados.
A polícia informou que há pelo menos 19 crimes sendo investigados contra o ex-servidor. As vítimas tinham entre 11 e 18 anos. Ele foi preso em casa no dia 15 de abril, no bairro de Guaxuma.
O suspeito era funcionário da Câmara e foi exonerado do cargo pelo presidente Kelmann Vieira (PSDB). Ele ocupava a assessoria em manutenção, segurança e demandas gerais do gabinete do vereador Chico Filho (PP), que disse que o caso o deixou surpreso, já que Lima era uma pessoa de confiança da família.
Casos denunciados
Na primeira ação, o Ministério Público explica que a vítima, menor de idade, de 14 anos, foi ameaçada e obrigada a praticar conjunção carnal com o réu.
“Essa vítima estava nas proximidades da Igreja São Judas, no bairro do Feitosa, quando uma pessoa, em um carro prata, lhe abordou. Em seguida, o denunciado mostrou uma arma de fogo e mandou que a menina encostasse no carro, senão, iria atirar. Quando ela encostou, o acusado pediu-a para que entrasse no veículo. Sob ameaça, a vítima obedeceu, e um pano foi colocado em seu rosto”, detalham os promotores.
Ainda, conforme o documento, na sequência, a adolescente foi levada para o escritório de um vereador por Maceió. E era lá que ele praticava os estupros, sendo usando de ameaça e violência.
A segunda denúncia é referente ao abuso sexual ocorrido em dezembro do ano passado. Nesse caso, o primeiro crime praticado não foi o estupro.
“No dia 19 de dezembro de 2018, no Feitosa, Benício Vieira de Lima constrangeu a vítima, com 16 anos, mediante grave ameaça. De acordo com o que foi apurado, o investigado perguntou à vítima se ela poderia informar onde ficaria a Igreja Universal. No momento em que a adolescente indicou a direção, ele abriu a porta do veículo, tirou uma arma de dentro do porta-luvas e mostrou a ela. Ameaçada, a vítima entrou no carro. Em seguida, sem falar o que queria, o denunciado deu partida no veículo e, quando entrou em uma rua nas proximidades das Lojas Americanas, anunciou o assalto, pedindo o celular. Ao colocar o aparelho telefônico no banco de trás, o acusado baixou o banco em que a adolescente estava e vendou seus olhos, dizendo que se ela gritasse, ele iria atirar em sua cabeça”, descreve outra parte da ação.
Ainda conforme o relato, depois de praticar o roubo, Benício levou a vítima ao mesmo escritório. “Ao entrar na residência, ele retirou a venda dos olhos dela, tirou a roupa da vítima e começou a tocar o seu corpo. Em seguida, o acusado também se despiu e mandou que a adolescente tomasse banho. Logo após, colocou o celular roubado e a arma de fogo em cima da mesa de um quarto, que estaria bastante bagunçado, e perpetrou os abusos. Segundo a vítima, o denunciado a obrigou a ‘fazer todo tipo de coisa’. E ela ainda contou que começou a sentir dor, pois ele foi muito agressivo no ato. E quando a vítima pediu para que o acusado parasse, ele lhe disse que se continuasse falando aquilo, iria chamar mais quatro amigos para estuprá-la também”, relata o MPE/AL.
Na última ação, os promotores de Justiça propuseram a terceira denúncia contra o mesmo acusado. A vítima, segundo o MP, teria sido uma garota de 17 anos, e o crime praticado este ano, também no bairro do Feitosa.
“A adolescente estava caminhando pelo logradouro conhecido como o principal do Feitosa, quando um veículo Sedã prata parou e perguntou informações sobre a localidade da Igreja São Judas. Em seguida, o denunciado pediu que ela entrasse no carro, tendo a vítima se negado. O investigado, então, mostrou uma arma de fogo que estava entre as pernas dele. Logo depois, sob a ameaça de morte, disse à adolescente para que não fizesse alarde e que ela entrasse no veículo, afirmando, inclusive, que se corresse, ele iria atirar”, afirma a petição.
Lembrando o mesmo endereço onde os atos sexuais violentos comumente ocorriam, a terceira vítima relatou detalhes do abuso aos investigadores: “Ele praticou com a adolescente conjunção carnal e anal. E ela contou que sentiu uma vontade de ir ao banheiro no momento em que ele praticava o sexo anal. Após defecar, a vítima sentiu um forte enjoo, chegando a vomitar. Então, o denunciado pediu que ela tomasse banho e voltasse ao quarto. Ao perceber que a garota estava bastante gelada, por estar passando mal, Benício Vieira de Lima mandou que ela se vestisse para ir embora”, conta mais um trecho da petição.
Ainda de acordo com o MP, “a prisão do denunciado possibilitou a descoberta de um verdadeiro estuprador em série, o que se revelou, até então, um dos maiores e mais graves do Estado de Alagoas. Outras persecuções penais já estão em curso, com inúmeras vítimas, todas trazendo à lume o mesmo modus operandi, violento e covarde”, afirmou o promotor Lucas Carneiro.
A promotora Dalva Tenório ressaltou a importância das denúncias serem feitas pelas vítimas.
“As duas promotorias de justiça com atribuição para atuar nos crimes praticados contra crianças e adolescentes estão localizadas no prédio do MP do Barro Duro, situado na Avenida Juca Sampaio, nº 3426. Pedimos para que as famílias não tenham vergonha e nem medo e nos procurem para formalizar as denúncias contra o abusador. Ele precisa ser penalizado por toda a violência sexual que praticou”, disse.
fonte: G1








