O sonho do corpo perfeito pode se tornar um pesadelo ou ainda resultar em complicações e morte como no caso da bancária Lilian Calixto, 46 anos que morreu no último dia 15, após procedimento estético nos glúteos no Rio de Janeiro e da modelo Mayara Silva dos Santos, de 24 anos, no dia 20. No caso de Lilian, a cirurgia foi feita por Denis Cesar Barros Furtado, 45, conhecido como o Doutor Bumbum. Além de não ter formação em cirurgia plástica, o médico realizou o procedimento em uma casa. Mayara foi convencida por uma amiga a fazer os procedimentos a um preço mais barato fora do hospital, na Barra da Tijuca.
Membro do Comitê das Vítimas do Silicone, o funcionário da educação privada, Humberto Ferreira, 45 anos, cobra um posicionamento do Congresso Nacional e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) em relação aos procedimentos de bioplastia com o uso do material sintético polimetilmetacrilato (PMMA).
Ele ressalta que é necessário proibir médicos que não sejam habilitados em cirurgia plástica de efetivarem os procedimentos e ainda exigir do Ministério Público que esse casos sejam notificados e inseridos no cadastro nacional de médicos e pacientes, vinculado ao Ministério da Saúde.
“O Brasil está cheio de gente que faz esse tipo de cirurgia sem estar qualificado. Tem que cobrar que o país organize isso de maneira prática. O silicone líquido, por exemplo, já poderia estar proibido. Tem que saber também se o uso do PMMA é permitido para fins estéticos. E se não, o que está sendo feito para coibir os procedimentos?É preciso leis mais duras e um debate amplo sobre esse assunto que já devastou tantas vidas”, defende.
Segundo ele, é preciso ainda lutar contra a desinformação. “O cirurgião tem que falar sobre tudo, esclarecer os termos e os riscos de maneira clara. O paciente também deve procurar saber se o profissional tem a formação que alega e desconfiar de promessas fáceis”, alerta.
A mãe de Humberto, Bárbara Ferreira, 70 anos, foi uma das vítimas do silicone. Há mais de 20 anos, após violência doméstica ela desenvolveu um tumor nos seios e implantou o silicone para reparação. Após o procedimento, começou a sentir dores locais e desenvolveu lúpus eritematoso.
“Vou morrer com a bomba relógio no meu corpo. Sou extremamente alérgica e não posso retirar. No meu caso foi a prótese de silicone. Na época vinha na bula alertando sobre as alergias, mas o médico não me alertou. O triste é que esse mesmo problema vai se repetir por gerações, com milhões de pessoas porque ninguém faz nada. As pessoas querem um corpo e um rosto bonito, mas o lado caro e feio da beleza acontece, como nesses últimos dias. O silicone têm me dado muita dor de cabeça. Se eu soubesse que iria acontecer algo assim, jamais teria feito”, afirma.
Correio Braziliense








