Às voltas com a própria pré-campanha à reeleição em Alagoas, o senador emedebista Renan Calheiros deflagrou uma campanha para tentar impedir a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles à Presidência pelo MDB. Crítico ferrenho do presidente Michel Temer (MDB), principal cabo eleitoral de Meirelles para a escolha como candidato da sigla nas convenções partidárias, Renan gravou nesta sexta-feira (13) um vídeo que será distribuído a partir deste sábado (14) a todos os delegados do partido –pessoas aptas a votar no evento agendado para o próximo dia 2 de agosto.
“Gostaria de pedir o seu apoio para defendermos o MDB livre de candidatura presidencial que nos encolha, que nos rebaixe. Não podemos fazer da nossa legenda, cuja história se confunde com a do Brasil, uma legenda de aluguel, movida pelos interesses do sistema financeiro, com uma pauta política que nos afronta e nos envergonha”, diz o senador na gravação obtida pelo UOL. Na mensagem, ele pede aos delegados o voto contra a candidatura de Meirelles “e a favor da liberdade de alianças em cada estado”. “O nosso partido é o maior do Brasil. Nós temos excelentes senadores, deputados estaduais, deputados federais, governadores”, afirma Renan.
“E a presença dele, com essa agenda contra os pobres e contra os trabalhadores, vai prejudicar o MDB e sua história. Vamos à luta. Porque somos maiores do que o que querem nos fazer. Um grande abraço e vamos à vitória no dia 2”, conclui o senador.
Nome de Meirelles não é unanimidade no MDB Meirelles foi oficializado como pré-candidato do MDB no último dia 22 de maio, quando Temer confirmou que não disputaria as eleições de outubro deste ano. Meirelles foi ministro da Fazenda da atual gestão e lançou sua pré-candidatura com a filiação ao MDB no início de abril. Antes, ele era filiado ao PSD. 14/07/2018 Renan deflagra campanha para tentar impedir candidatura de Meirelles – Notícias – UOL Eleições 2018.
Apesar de ter o apoio de Temer e aliados como o líder do governo no Senado e presidente do MDB, Romero Jucá (RR), e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia), Meirelles não é unanimidade dentro do partido. Ele sofre forte resistência de caciques como Renan e os senadores Eunício Oliveira (CE), presidente da Casa, e Roberto Requião (PR), por conta de interesses eleitorais regionais. Nos últimos meses, Meirelles tem minimizado os movimentos de oposição interna e dito que acredita ter ampla maioria para a convenção.
O ex-ministro já disse, por exemplo, que terá uma “vitória substancial” no evento. Para garantir o resultado favorável, ele tem viajado pelo país para conversar com os representantes do MDB nos estados. Na convenção, caberá ao MDB escolher o candidato oficial à Presidência dentre os nomes apresentados ou definir qual a alternativa a ser tomada, como a aliança com candidato de outro partido ou a liberação da sigla para coligações estaduais.
Para ter o nome aprovado, Meirelles precisará de pelo menos metade mais um dos votos válidos na convenção nacional. O número pode variar de acordo com o quórum presente na ocasião — o mínimo são 223 presentes. O colegiado é composto por 443 integrantes. Como alguns têm direito de votar mais de uma vez, por conta dos cargos que ocupam, a quantidade total de votos pode chegar a 629.
Cada estado tem ainda um peso específico na votação determinado pela bancada dele no Congresso Nacional, entre outras regras. Entre os mais influentes estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Renan pretende registrar a opção de não candidatura para disputar com a chapa de Meirelles. Além de divulgar o vídeo, o primeiro de três que pretende produzir, ele planeja telefonar para delegados e diretórios estaduais de todo o país.
O senador ainda deve viajar para conversar pessoalmente com emedebistas que defendem Meirelles para tentar convencê-los de que Meirelles “encolhe o partido” e dificulta a eleição dos senadores, dos deputados dos governadores nos estados, por conta da impopularidade dele e de Temer. A reportagem apurou que ele deve escolher cinco estados para visitar de acordo com as conversas, depois de sentir a disposição dos interlocutores para apoiar o ex-ministro da Fazenda.
Renan tenta repetir um feito de doze anos atrás, quando a corrente interna da qual ele fazia parte derrotou a pré-candidatura do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho à Presidência da República por 351 votos a 303, em uma convenção extraordinária. Naquele ano, o partido não lançou candidato e nem se coligou a nenhum outro no pleito nacional.
UOL