Mesmo o Brasil sendo o terceiro país que mais reservou ingressos para a Copa, o torcedor nacional deve esperar um clima na Rússia bem diferente do da Copa de 2014. O governo brasileiro lançou, nesta quinta-feira, uma cartilha com orientações aos cerca de 60 mil brasileiros que compraram ingressos para assistir aos jogos do Mundial. Entre as recomendações estão: evitar manifestações intensas de afeto em público, especialmente a comunidade LGBTI, não usar bandeiras estrangeiras em praças e edifícios públicos, não falar publicamente sobr temas políticos, ideológicos, sociais e de orientação sexual, e nãoi ingerir bebidas alcoólicas nas ruas (que é punível com multas). Instrumentos musicais também estão proibidos, o que significa que, novamente, as vuvuzelas não serão permitidas nos estádios, assim como na Copa no Brasil.
O médico Tadeu Calheiros, de 42 anos, e a mulher Danielle Arcoverde, de 41, já garantiram os ingressos para assistir aos dois primeiros jogos do Brasil na fase de grupos, contra a Suíça e a Costa Rica, respectivamente. O casal tomou conhecimento da cartilha no fim da tarde desta quinta-feira, ficou surpreso, mas garantirou que a bandeira brasileira não sairá da mala.
— Eu assisti a um jogo da Copa de 2014 e era comum ver as pessoas bebendo, com as bandeiras de seus países felizes pela rua. Mesmo com essas recomendações, eu acredito que o estádio continuará animado. A questão da bandeira é uma surpresa para mim, terei mais precauções, mas ela vai continuar na mala para levar as cores do nosso país durante a partida — afirma Calheiros.
A cartilha frisa que não são comuns na Rússia manifestações calorosas de afeto em público. Em particular, recomenda-se à comunidade LGBTI evitar “demonstrações homoafetivas em ambientes públicos”, que podem ser consideradas “propaganda de relações sexuais não tradicionais feita a menores” e enquadradas em lei, de junho de 2016, que prevê multa e deportação.
— É preciso entender o contexto e o que quer dizer exatamente “manifestação intensa de afeto”, poque pode se referir a atentado violento ao pudor. Se segurar a mão for considerado ilegal, aí eu acharia um exagero. De qualquer forma, discordo da discriminação ao público LGBTI, a lei tem que ser igual para todos — diz Calheiros, que teve dificuldade para conseguir comprar os ingressos para a Copa.
O Globo








