A figura de Paulo Sérgio Pinheiro tem algo de Quixote. Magro, alto, cabelos inteiramente grisalhos, lisos, que ora caem de lado, à frente, se desgrenham na fronte junto com o movimento do pensamento, barba branca por fazer. Tem o jeito quixotesco também: algo dramático, teatral, picaresco, meio desajeitado. E sobretudo as ideias, os ideais, sempre elevados.
Um homem sonhador e afável. Eis ele à nossa frente, aos 74 anos de uma vida dedicada à defesa dos chamados direitos humanos, direitos básicos de homens, mulheres, de todo gênero, credo, origem ou cor. Os direitos que todo cidadão deve ter assegurados, mas que sofrem violações tantas vezes graves, aqui no Brasil e no mundo.
Nos últimos 30 anos, pelo menos, não houve grave violação ou ameaça a direito com que não tenha se batido sobre seu cavalo. Uma de suas grandes contribuições foi o Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), que ajudou a fundar em 1987, para produzir dados sobre violência e subsidiar políticas públicas.
Sua intervenção foi também governamental: secretário de Estado dos Direitos Humanos no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (secretaria com status de ministério) e relator dos primeiros programas nacionais de direitos humanos, marcos da consolidação da democracia no Brasil após o período de exceção da ditadura militar (1964-85).
Depois vieram posições nas principais entidades internacionais de arbitragem e paz. Hoje, especificamente, preside a comissão de inquérito da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a guerra na Síria, desde 2011.








