O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou no início da noite desta segunda-feira (4) que abriu investigação para avaliar a omissão de informações nas negociações das delações de executivos da JBS. Caso comprovada a omissão, o acordo poderá ser anulado, disse o procurador.
Rodrigo Janot fez um pronunciamento no auditório do Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal). A possibilidade de revisão ocorre diante das suspeitas dos investigadores do MPF de que o empresário Joesley Batista e outros delatores ligados à empresa esconderam informações da Procuradoria-Geral da República.
Apesar da possibilidade de anular o acordo com a JBS, Janot defendeu a delação premiada como instrumento para investigações e que deve ser preservado. De acordo com o procurador-geral, se os executivos da JBS erraram, deverão pagar por isso, mas “não desqualificará o instituto [da delação premiada]”.
De acordo com o procurador-geral, foram obtidos na semana passada áudios com “conteúdo gravíssimo” com a gravação de um diálogo entre dois delatores com “referências indevidas” à PGR e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Janot acrescenta que os áudios contêm indícios “de conduta em tese criminosa atribuída ao ex-procurador Marcelo Miller, que ao longo de três anos foi auxiliar do gabinete do procurador-geral. Se descumpriu a lei no exercício de suas funções, deverá pagar por isso”.
Por fim, o procurador-geral da República alertou que “não há ninguém que republicanamente esteja a salvo da aplicação da lei”. Ele advertiu ainda que “Se ficar provada qualquer ilicitude, o acordo poderá ser rescindido”. Entretanto, assegurou que “a eventual rescisão não invalida as provas até então oferecidas”.
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