Somente resulta em prisão um em cada cinco inquéritos policiais abertos pelo departamento que investiga homicídios em São Paulo.
Essa radiografia do braço da Polícia Civil, subordinada ao governo de Geraldo Alckmin (PSDB), aparece em dados de produtividade obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação.
Para entender os motivos desse cenário, a reportagem conversou com policiais e especialistas na área. Segundo eles, o quadro atual do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) é resultado de uma equação composta por falta de estrutura e de verba para investigações, baixa renovação, reduzida reciclagem do efetivo e práticas pouco eficazes de atuação.
No ano passado, por exemplo, o DHPP abriu 1.994 investigações, e essas resultaram em 372 prisões (19%). Além de assassinatos (foram 844 no ano passado na cidade de São Paulo), o departamento apura casos de sequestro, pedofilia, desaparecimento e crimes de intolerância.
A Polícia Civil argumenta que o índice de esclarecimento de casos só de homicídio doloso é de 40%, com 260 resoluções em 642 inquéritos. No entanto, apesar de pedidos da reportagem, ela não detalha dados nem critérios utilizados para chegar a esse número (leia texto abaixo).
Segundo a Folha apurou com policiais da ativa que pediram para não ser identificados, o governo infla a estatística ao classificar como solucionados crimes cujos autores permanecem foragidos e também casos nos quais os suspeitos são inocentados posteriormente na Justiça.
Esse índice da polícia paulista é alto se comparado a outros Estados, onde é comum o esclarecimento de crimes não ultrapassar os 10%. Mas fica distante de países como Alemanha (96%), Japão (95%) e EUA (65%), segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.








