Nem quem anda armado escapa de ser assassinado no Brasil. Na última sexta-feira (5), um policial militar do Rio de Janeiro foi baleado e morto em um acesso à Ponte Rio-Niterói. A polícia apura se Marcos Braz de Moraes, 43 anos, foi vítima de uma tentativa de assalto. Ele servia no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, responsável pela política de segurança pública no estado. A família de Marcos compõe estatística inédita mostrada por uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Sob o ponto de vista dos que ficam e sobrevivem, os números mostram que um em cada três brasileiros com 16 anos ou mais, pelo menos 50 milhões de brasileiros, têm um parente ou amigo vítima de homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte).
O levantamento também mostra que a população entende que é necessário ampliar a articulação governamental em torno do enfrentamento à violência. Quase todos os entrevistados, 94%, reconhecem que o nível de homicídios é muito alto no Brasil e 96% acreditam que as diversas esferas do governo precisam se unir para diminuir os crimes e a violência, já que a obrigação não seria somente das polícias, mas também do governo federal (para 84% dos entrevistados), dos estados (83%), dos municípios (81%) e do Congresso Nacional (77%).
O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, destaca o principal recado que a pesquisa traz: a população não tolera mais a violência. Para Renato, ninguém aguenta mais o jogo de empurra sobre quem é o responsável pela segurança. “As pessoas estão exaustas da violência e estão pedindo socorro. Todo mundo é responsável. E elas apontam uma solução, que é a unificação da União, dos estados, municípios, das polícias, para que o assunto seja tratado como prioridade”, comenta.
O papel das polícias também tem destaque importante na pesquisa. Entre 5,9 milhões e 20,2 milhões têm um parente, amigo ou conhecido que foi morto pelas polícias ou guardas municipais, percentual que se eleva entre os mais jovens, chegando a 17% da população entre 16 e 24 anos. Além disso, 92% afirmam que todos têm direitos iguais e devem ser respeitados pelas polícias e 93% afirmam que a polícia deve preservar a vida acima de tudo. “Não é essa polícia que os brasileiros querem. Queremos uma polícia mais próxima, mais valorizada, respeitada e confiável. A mudança, por um lado, passa por medidas de modernização da área e, por outro, por inovações gerenciais e boas práticas. Hoje a gente bate muita cabeça, trabalha demais, mas os resultados são insatisfatórios”, comenta Renato.
Armas de fogo
Em meio ao cenário de tanta violência, na Câmara dos Deputados, a bancada da bala pressiona o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) para pautar com urgência a votação em plenário do substitutivo que revoga o Estatuto do Desarmamento. Os deputados querem tornar menos rígidas as regras para a compra, registro e porte de armas de fogo no país. A expectativa deles é aprovar a matéria no final deste semestre. Segundo dados da pesquisa, 78% dos entrevistados acreditam que quanto mais armas em circulação, mais mortes haverá no país, reforçando a importância do controle de armas na redução da violência.
Os números também mostram que 4% das pessoas maiores de 16 anos, de 4,9 milhões a 7,5 milhões, considerando a margem de erro, já sofreram algum ferimento por arma de fogo. O diretor-presidente do FBSP destaca que este é outro aspecto muito importante do levantamento. “A população tá sentindo na própria pele a violência. As pessoas estão sendo feridas. Se a gente não pensar no controle da arma, a gente está incentivando a barbárie”, comenta Renato Lima.
Correio Braziliense








